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Em meio a tensões, Somália vai às urnas em eleições locais pela 1ª vez em décadas

Uma eleitora insere seu voto na urna em uma zona eleitoral durante eleições locais em Mogadíscio, capital somali, 25 de dezembro de 2025

Uma eleitora insere seu voto na urna em uma zona eleitoral durante eleições locais em Mogadíscio, capital somali, 25 de dezembro de 2025

— Hassan Ali Elm/AFP

27 de dezembro de 2025

Na quinta-feira (25) autoridades somalis estabeleceram um esquema de segurança reforçada para a realização das primeiras eleições diretas na região de Mogadíscio em quase 60 anos. A votação, adiada três vezes este ano, foi boicotada por líderes da oposição.

Cerca de 10.000 agentes de forças de segurança foram mobilizados e o aeroporto da cidade foi fechado para a eleição, vista como um teste antes do pleito presidencial do próximo ano. Em alguns locais de votação foram registradas longas filas, o que diminuiu no início da tarde, segundo um correspondente da agência francesa AFP.

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Ainda segundo a agência, as autoridades somalis informaram que a votação ocorreu sem incidentes significativos e que os resultados seriam divulgados “em breve”, sem data definida.

Segundo o órgão eleitoral, há mais de 1,6 mil candidatos disputando 390 assentos nos conselhos locais na região sudeste da região administrativa de Banadir, onde fica a capital Mogadíscio. O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, defende a reintrodução das eleições diretas e disse, na quinta-feira (25), que elas eram “o futuro do povo somali”.

O sufrágio universal na Somália foi abolido em 1969, com a chegada de Siad Barre ao poder. Desde a queda de seu governo, em 1991, o sistema político do país passou a girar em torno de uma estrutura de clãs. Desde 2006 o país também enfrenta conflitos armados com combatentes do Al-Shabaab, grupo ligado à Al-Qaeda

Mudança enfrenta resistência e gera tensões

Apesar do esforço, a votação foi boicotada pela coalizão de oposição Futuro Somali, e vários estados federais a rejeitaram, classificando-a como uma tentativa do governo central de concentrar poder em Mogadíscio e estender o mandato presidencial, que termina em 2026. A oposição ameaça realizar uma eleição presidencial paralela no ano que vem caso o governo insista com as eleições locais.

Em setembro, o International Crisis Group (Grupo de Crise Internacional, em tradução livre) publicou um comunicado afirmando que a tentativa do governo de substituir a votação indireta baseada em clãs por eleições diretas “poderia mergulhar o país de volta no caos se os líderes não conseguirem chegar a um acordo”.

“As eleições têm sido uma fonte persistente de tensão na Somália, e o país caminha para mais um episódio de instabilidade eleitoral, a menos que se chegue a um consenso sobre o sistema de votação. O risco não é apenas a recorrência da violência, mas também o agravamento da fragmentação política, assim como danos duradouros ao sistema federal somali”, diz o documento.

Para o grupo, um acordo beneficiaria todos os lados envolvidos: “Um acordo pode ajudar o governo a reparar seus laços com os estados-membros e adversários políticos, permitir que a oposição impeça o governo de estender seu mandato e conter a ameaça de violência.”

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