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EUA sancionam militares de Ruanda por ‘violação’ na RD Congo

Medida atinge quatro oficiais e exige retirada imediata de tropas; governo ruandês nega acusações e fala em "distorção dos fatos"
Membros do grupo M23 montam guarda para o comboio de soldados das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), em Goma, em 1º de março de 2025.

Membros do grupo M23 montam guarda para o comboio de soldados das Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), em Goma, em 1º de março de 2025.

— Jospin Mwisha/AFP

3 de março de 2026

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (2) a imposição de sanções às Forças de Defesa de Ruanda (RDF) e a quatro de seus oficiais, acusando o país de violar um acordo de paz na República Democrática do Congo. A medida atinge, entre outros, o chefe do Estado-Maior do exército ruandês, Vincent Nyakarundi.

O Departamento de Estado americano afirmou que as sanções decorrem do apoio de Ruanda ao grupo armado M23, que em dezembro capturou a cidade estratégica de Uvira, no leste congolês, dias após a assinatura de um acordo de paz mediado pelo presidente Donald Trump.

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Em dezembro, Trump reuniu os líderes de Ruanda e da RD Congo para a assinatura de um acordo de paz, prevendo o que chamou de “grande milagre”. Dias depois, no entanto, o M23 tomou Uvira, cidade-chave na província de Kivu do Sul.

O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, declarou que o M23, entidade sancionada pelos EUA e pela ONU, é responsável por violações de direitos humanos, incluindo execuções sumárias e violência contra civis, mulheres e crianças. “O apoio contínuo da RDF e de sua alta liderança permitiu que o M23 capturasse território soberano da RDC e continuasse essas graves violações”, afirmou.

Sanções e exigências

As sanções bloqueiam eventuais ativos da RDF e dos quatro oficiais nos Estados Unidos e criminalizam transações financeiras com eles. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, exigiu “a retirada imediata das tropas, armas e equipamentos das Forças de Defesa de Ruanda”. Segundo comunicado do Tesouro, “milhares de tropas da RDF estão implantadas no leste da RDC, onde participam ativamente de operações de combate e facilitam o controle territorial do M23”.

O governo de Ruanda rejeitou as sanções em nota, afirmando que a medida “atinge injustamente apenas uma das partes” e “distorce a realidade e os fatos do conflito”. O país afirmou ainda que “ataques consistentes e indiscriminados com drones e ofensivas terrestres constituem claras violações dos acordos de cessar-fogo pela RDC”.

O governo da RD Congo, por sua vez, expressou “profundo apreço” aos Estados Unidos, classificando as sanções como “um sinal claro de apoio” ao respeito à sua “soberania e integridade territorial”.

Contexto do conflito

Ruanda afirma que sua atuação no leste da RD Congo tem como objetivo se proteger contra uma milícia inimiga formada por remanescentes dos autores do genocídio de 1994 contra os tutsis. 

O país nega envolvimento militar direto, apesar de evidências consideráveis de observadores da ONU e outras fontes. Exige, por sua vez, que o governo de Kinshasa combata militantes hutus remanescentes do genocídio.

Especialistas regionais e fontes de segurança ouvidos pela AFP afirmam que as forças de Kinshasa, em desvantagem no terreno diante do M23 e das tropas ruandesas, melhor equipadas, dependem em parte da pressão americana sobre Kigali para estabilizar a linha de frente.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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