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‘Gaza virou o inferno na terra’, afirma diretor da Cruz Vermelha Internacional

Entrevistado no Roda Viva, Pierre Krähenbühl também abordou temas ligados ao direito humanitário internacional e ao conflito na República Democrática do Congo
Pierre Krähenbühl, diretor geral do CICV, durante o programa Roda Viva.

Pierre Krähenbühl, diretor geral do CICV, durante o programa Roda Viva.

— @nadjakouchi/Acervo TV Cultura

19 de maio de 2026

“Gaza virou o inferno na terra, não há outra maneira de descrever”, afirmou Pierre Krähenbühl, diretor geral do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), durante a entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura, veiculada no dia 18 de maio, segunda-feira.

Krähenbühl se esquivou de responder se Israel comete crime de genocídio no território palestino, mais especificamente em Gaza, onde desde o início dos ataques de Israel, mais de 72 mil pessoas foram mortas, sendo aproximadamente mais de 10 mil mulheres e 21 mil crianças. Ele apenas destacou a importância do trabalho do Tribunal Internacional de Justiça, que julga uma ação movida pela África do Sul, com apoio do Brasil, pedindo o reconhecimento daquilo que ocorre na Palestina como um crime de genocídio.

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Os bombardeios israelenses contra a infra-estrutura a população civil de Gaza começaram depois de um ataque do grupo Hamas em território israelense, que terminou com a morte de cerca de 1.200 pessoas.

Apesar disso, o diretor geral do CICV reforçou a necessidade de fim dos ataques de Israel e da situação catastrófica vivida em Gaza. 

“Tudo o que aconteceu nos últimos dois anos e meio é de uma dimensão catastrófica. O nível de mortos, feridos, deslocados. Eu acho que ninguém de nós do CICV já viu algo comporável a Gaza nas décadas recentes. A resposta internacional ao povo de Gaza falhou”, explicou.

Durante a entrevista, Pierre Krähenbühl também foi questionado pela Alma Preta sobre a guerra enfrentada pela República Democrática do Congo, que desde 1996 vive conflitos armados na parte leste do país. Desde janeiro de 2025, o grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, invadiu e ocupa militarmente as cidades de Goma e Bukavu, capitais do Norte Kivu e Sul Kivu. 

“O nível de sofrimento e a dor das famílias congolesas, em especial no leste do país, é devastador. É difícil acreditar nos níveis de sofrimento que esse país passou do período colonial até os dias de hoje. Esse país merece toda atenção possível”, afirmou. As estimativas das Nações Unidas são de que, ao menos, 5 milhões de pessoas morreram na RDC desde o início dos combates.

Pierre Krähenbühl ainda foi perguntado sobre o desrespeito generalizado ao direito humanitário internacional de diversos líderes mundiais. Um dos exemplos apresentados foi a ameaça feita por Donald Trump de destruir com a civilização do Irã.

“Depois da Segunda Guerra Mundial, os humanos perceberam como podem impor sofrimento a outros humanos e que limites precisavam ser estipulados. Por isso, o nosso chamado não é para as pessoas olharem para essas regras como algo frio, mas algo que faz uma grande diferença, entre a vida e a morte, a dignidade e a indignidade”, afirmou.

Diretor geral do CICV visita o país para estreitar as relações da ONG com o governo brasileiro

Pierre Krähenbühl assumiu a posição de diretor geral do órgão em abril de 2024, depois de ter uma trajetória de experiência na organização. Ele atua há mais de 30 anos no setor humanitário e por 25 anos trabalhou em postos de destaque no CICV, com missões em países como El Salvador, Peru, Afeganistão e Bósnia e Herzegovina.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha atua em mais de 100 país, com 18 mil funcionários e orçamento anual de US$ 2,1 bilhões. O órgão internacional contabiliza 130 conflitos armados nos dias de hoje, o dobro do registrado em 2009.

A entrevista fez parte de uma agenda de Pierre Krähenbühl no Brasil, que incluiu uma viagem para Brasília, para participar da abertura da exposição fotográfica Humanidade na Guerra, no dia 27 de abril, e para fazer interlocuções com o governo brasileiro. Segundo nota oficial da ONU, o CICV busca “reforçar a parceria estratégica entre o CICV e o Brasil”. 

Para o CICV, o Brasil pode ser um parceiro internacional, em especial por conta dos posicionamentos do presidente Lula em defesa do multilateralismo e da necessidade de maior diálogo entre as nações. A organização atua no Brasil desde 1991 e deixa em Brasília a sede regional para tratar de países como Uruguai, Chile, Argentina e Paraguai.

Confira a entrevista completa de Pierre Krähenbühl no Roda Viva:

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  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

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