O governo do Sudão anunciou neste domingo (11) o retorno oficial a Cartum, capital do país, quase três anos após ter deixado a cidade em razão do conflito armado iniciado em abril de 2023. A sede do Executivo havia sido transferida para Porto Sudão, no leste do país, depois que as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) assumiram o controle da capital nos primeiros meses da guerra.
Em declaração a jornalistas em Cartum, o primeiro-ministro Kamel Idris afirmou que o governo volta à cidade com a promessa de restabelecer serviços públicos e reconstruir estruturas essenciais. Segundo ele, a administração pretende priorizar áreas como saúde, educação, fornecimento de água, eletricidade e saneamento.
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Mais de 3,7 milhões de pessoas fugiram de Cartum nos primeiros meses do conflito, que começou em abril de 2023. Em maio de 2025, as Forças de Apoio Rápido chegaram a bombardear o palácio presidencial com projéteis de longo alcance.
Além do governo, várias agências da Organização das Nações Unidas (ONU) também deixaram a cidade. O exército sudanês recapturou a capital em março de 2024 e, desde então, mais de um milhão de pessoas retornaram, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Conflito já matou dezenas de milhares e deslocou mais de 11 milhões
A guerra no Sudão, que completou mil dias na última sexta-feira (9), já causou a morte de dezenas de milhares de pessoas e deslocou mais de 11 milhões dentro e fora do país.
Após perder o controle de Cartum, os paramilitares das RSF concentraram sua ofensiva no oeste do Sudão. O governo de Porto Sudão, aliado ao exército, enfrenta o desafio de reconstruir uma capital arrasada enquanto o conflito segue ativo em outras frentes.