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Governo do Sudão anuncia retorno a Cartum, capital do país, após quase 3 anos de guerra

Primeiro-ministro promete reconstrução de serviços básicos, mas cidade segue devastada após mais de mil dias de guerra, deslocamento em massa e bombardeios paramilitares
O primeiro-ministro do Sudão, Kamil Idris (ao centro), fala com a imprensa em Cartum em 11 de janeiro de 2026.

O primeiro-ministro do Sudão, Kamil Idris (ao centro), fala com a imprensa em Cartum em 11 de janeiro de 2026.

— Ebrahim Hamid/AFP

12 de janeiro de 2026

O governo do Sudão anunciou neste domingo (11) o retorno oficial a Cartum, capital do país, quase três anos após ter deixado a cidade em razão do conflito armado iniciado em abril de 2023. A sede do Executivo havia sido transferida para Porto Sudão, no leste do país, depois que as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) assumiram o controle da capital nos primeiros meses da guerra.

Em declaração a jornalistas em Cartum, o primeiro-ministro Kamel Idris afirmou que o governo volta à cidade com a promessa de restabelecer serviços públicos e reconstruir estruturas essenciais. Segundo ele, a administração pretende priorizar áreas como saúde, educação, fornecimento de água, eletricidade e saneamento.

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Mais de 3,7 milhões de pessoas fugiram de Cartum nos primeiros meses do conflito, que começou em abril de 2023. Em maio de 2025, as Forças de Apoio Rápido chegaram a bombardear o palácio presidencial com projéteis de longo alcance.

Além do governo, várias agências da Organização das Nações Unidas (ONU) também deixaram a cidade. O exército sudanês recapturou a capital em março de 2024 e, desde então, mais de um milhão de pessoas retornaram, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). 

Conflito já matou dezenas de milhares e deslocou mais de 11 milhões

A guerra no Sudão, que completou mil dias na última sexta-feira (9), já causou a morte de dezenas de milhares de pessoas e deslocou mais de 11 milhões dentro e fora do país. 

Após perder o controle de Cartum, os paramilitares das RSF concentraram sua ofensiva no oeste do Sudão. O governo de Porto Sudão, aliado ao exército, enfrenta o desafio de reconstruir uma capital arrasada enquanto o conflito segue ativo em outras frentes.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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