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Governo do Sudão do Sul bloqueia ajuda humanitária e deixa milhares sem atendimento de saúde, denunciam ONGs

Médicos Sem Fronteiras e Programa Mundial de Alimentos relatam restrições de acesso enquanto confrontos no país deslocam cerca de 180 mil pessoas
Civil do Sudão do Sul sendo tratado por um médico indiano.

Civil do Sudão do Sul sendo tratado por um médico indiano.

— Samuel Adwok/UNMISS

30 de janeiro de 2026

O governo do Sudão do Sul impede a passagem de voos humanitários para áreas de conflito no estado de Jonglei. A denúncia foi feita pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) nesta sexta-feira (30). Os combates, que se intensificaram no fim de dezembro, opõem forças leais ao presidente Salva Kiir e ao seu rival de longa data, Riek Machar.

A MSF informou que o bloqueio governamental atinge as regiões de Lankien, Pieri e Akobo. A medida impossibilita o transporte de medicamentos e de equipe médica, assim como a evacuação de pacientes em estado crítico. A organização é a única provedora de serviços de saúde para cerca de 400 mil pessoas no estado. 

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Na quinta-feira (29), a equipe da MSF em Pieri teve que evacuar sua instalação devido ao perigo iminente de conflito armado. Os profissionais deixaram a cidade com a população local, após liberar pacientes e levar apenas kits de emergência.

“Os pacientes vão morrer se o governo continuar a bloquear o acesso humanitário e médico em Jonglei”, declarou em nota Abdalla Hussein, gerente da MSF para o Sudão do Sul. A organização classificou as restrições como uma “manobra política grosseira” que deve cessar imediatamente.

O PMA também fez um apelo por acesso, afirmando que “centenas de milhares de vidas dependem disso”. Um porta-voz acrescentou que a escalada militar “não poderia ter vindo em pior momento”.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou em seu perfil nas redes sociais que está “profundamente preocupado” com a violência em Jonglei, que causou mortes, feridos e o deslocamento de 180 mil civis. 

Contexto do Sudão do Sul

O Sudão do Sul tornou-se um país independente em 2011 após a separação do Sudão. A população gira em torno de 11 milhões de habitantes. O território localiza-se na África Oriental e faz fronteira com Sudão, Etiópia, Quênia, Uganda, República Democrática do Congo e República Centro-Africana. 


Desde a independência, o país enfrenta confrontos internos, dificuldades econômicas e denúncias de corrupção. A população apresenta maioria cristã e presença de religiões tradicionais africanas, além de muçulmanos. A economia depende de petróleo e agricultura de subsistência, setores afetados por conflitos armados e deslocamentos populacionais.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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