O governo do Sudão do Sul impede a passagem de voos humanitários para áreas de conflito no estado de Jonglei. A denúncia foi feita pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) nesta sexta-feira (30). Os combates, que se intensificaram no fim de dezembro, opõem forças leais ao presidente Salva Kiir e ao seu rival de longa data, Riek Machar.
A MSF informou que o bloqueio governamental atinge as regiões de Lankien, Pieri e Akobo. A medida impossibilita o transporte de medicamentos e de equipe médica, assim como a evacuação de pacientes em estado crítico. A organização é a única provedora de serviços de saúde para cerca de 400 mil pessoas no estado.
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Na quinta-feira (29), a equipe da MSF em Pieri teve que evacuar sua instalação devido ao perigo iminente de conflito armado. Os profissionais deixaram a cidade com a população local, após liberar pacientes e levar apenas kits de emergência.
“Os pacientes vão morrer se o governo continuar a bloquear o acesso humanitário e médico em Jonglei”, declarou em nota Abdalla Hussein, gerente da MSF para o Sudão do Sul. A organização classificou as restrições como uma “manobra política grosseira” que deve cessar imediatamente.
O PMA também fez um apelo por acesso, afirmando que “centenas de milhares de vidas dependem disso”. Um porta-voz acrescentou que a escalada militar “não poderia ter vindo em pior momento”.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou em seu perfil nas redes sociais que está “profundamente preocupado” com a violência em Jonglei, que causou mortes, feridos e o deslocamento de 180 mil civis.
Contexto do Sudão do Sul
O Sudão do Sul tornou-se um país independente em 2011 após a separação do Sudão. A população gira em torno de 11 milhões de habitantes. O território localiza-se na África Oriental e faz fronteira com Sudão, Etiópia, Quênia, Uganda, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.
Desde a independência, o país enfrenta confrontos internos, dificuldades econômicas e denúncias de corrupção. A população apresenta maioria cristã e presença de religiões tradicionais africanas, além de muçulmanos. A economia depende de petróleo e agricultura de subsistência, setores afetados por conflitos armados e deslocamentos populacionais.