Um estudo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), publicado nesta quarta-feira (8), aponta que mais de 200 unidades de saúde no leste da República Democrática do Congo (RDC) estão sem medicamentos em decorrência da guerra na região, que já dura 31 anos.
O conflito, concentrado no leste do país, envolve interesses de potências regionais, como Ruanda e Uganda, e também de multinacionais do norte global, que se beneficiam da extração ilegal de recursos como ouro, cobalto e coltã.
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Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas foram vítimas da guerra, marcada por deslocamentos forçados, estupros em massa, assassinatos e instabilidade política.
A pesquisa analisou 240 centros de saúde e clínicas nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em média, nove em cada dez estabelecimentos estavam completamente desabastecidos.
Segundo a Cruz Vermelha, a escassez afeta itens essenciais como vacinas, medicamentos antimaláricos, medicamentos para tuberculose, entre outros.
O levantamento destaca que os altos índices de deslocamento interno sobrecarregam significativamente as unidades de saúde. Desde janeiro, cerca de 91% das unidades de saúde receberam mais de 5 mil pessoas deslocadas.
“A maioria dos deslocados chega sem absolutamente nada e enfrenta dificuldades para ter acesso ao tratamento. Quando se trata do acesso de civis aos bens de que precisam para sobreviver, como remédios, as partes em conflito têm um papel fundamental a desempenhar”, diz trecho da pesquisa.