No terceiro dia de debate na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), líderes africanos reforçaram a necessidade de reformas estruturais na organização e defenderam uma nova ordem internacional baseada em equidade e representatividade.
Os discursos revelaram um consenso entre os países africanos: sem reformas, a ONU perde relevância e não não terá legitimidade para enfrentar conflitos, crises econômicas e climáticas que afetam milhões de pessoas.
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O presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, destacou que a ONU deve garantir espaço real para o Sul Global. Segundo ele, somente a democratização e a ampliação do Conselho de Segurança poderão restaurar a confiança dos países em desenvolvimento no multilateralismo. “A força e o futuro da ONU estão na participação de todos nas deliberações e decisões”, afirmou segundo nota da ONU.
O vice-presidente da Gâmbia, Muhammed Jallow, ressaltou que as nações africanas continuam expostas a choques externos como crises de energia, insegurança alimentar e endividamento. Ele defendeu parcerias internacionais para fortalecer a resiliência em infraestrutura, agricultura e implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Desafios estruturais
Da Etiópia, o presidente Taye Atskeselassie Amde apontou problemas sistêmicos da ONU, como seletividade e padrões duplos. Ele alertou para os riscos da escalada militar e do retrocesso em compromissos de desenvolvimento e clima. O mandatário cobrou o cancelamento das dívidas e maior inclusão da África na governança global. “Não há solução parcial para essa busca de justiça”, afirmou.
A vice-presidente do Sudão do Sul, Josephine Joseph Lagu, contextualizou a fragilidade de seu país no cenário da falta de apoio internacional à reconstrução pós-conflito. Ela defendeu mais espaço para soluções africanas e disse que a credibilidade da ONU depende do fortalecimento dos mais vulneráveis.
O presidente de Botsuana, Duma Gideon Boko, destacou como seu país utilizou a renda do diamante em saúde e educação, mas alertou para os riscos da dependência de recursos e da crise climática em regiões semiáridas.
Ele pediu cooperação em energia renovável e agricultura sustentável. Sua principal reivindicação foi o assento permanente para a África no Conselho de Segurança. “A voz da África não é ouvida”, declarou.