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Militares da Nigéria serão julgados sob acusação de conspiração golpista contra o governo

Investigação conclui que parte de 16 oficiais presos em 2025 responderá a processo na Justiça militar
O presidente da Nigéria, Bola Ahmend Tinubu, preside sessão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) durante 66º encontro de chefes de Estado, em Abuja, Nigéria, 15 de dezembro de 2024

O presidente da Nigéria, Bola Ahmend Tinubu, preside sessão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) durante 66º encontro de chefes de Estado, em Abuja, Nigéria, 15 de dezembro de 2024

— Kola Sulaimon/AFP

27 de janeiro de 2026

Um grupo de oficiais das Forças Armadas da Nigéria vai a julgamento em um tribunal militar após ser acusado de planejar a derrubada do governo do presidente Bola Tinubu. A informação foi confirmada em nota oficial do comando militar.

Ao todo, 16 oficiais foram detidos em outubro do ano passado por atos classificados como indisciplina e violações de regulamentos internos. Na ocasião, o exército negou rumores sobre uma tentativa de golpe. Após a conclusão das investigações, as autoridades reconheceram que parte dos detidos responderá formalmente às acusações.

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Ainda não foi informado quantos dos 16 oficiais serão levados a julgamento. Segundo o comunicado, o processo seguirá os princípios de responsabilização e devido processo legal.

O porta-voz do Quartel-General da Defesa, major-general Samaila Uba, afirmou que a apuração identificou oficiais com indícios de envolvimento em uma conspiração contra o governo eleito. Os acusados com processos instaurados serão apresentados a um painel judicial militar.

Não houve divulgação de datas para o início dos julgamentos. Na nota, as Forças Armadas declararam que qualquer tentativa de afastar um governo eleito contraria os valores institucionais e os padrões profissionais da corporação.

Sensibilidade política e histórico militar

O caso surge em um momento de alerta na África Ocidental, região que testemunhou uma série de golpes de estado desde 2020, com a tomada do poder por militares no Mali, Burkina Faso, Níger e Guiné. 

Internamente, as Forças Armadas nigerianas enfrentam pressões operacionais significativas. Os desafios incluem o combate a grupos jihadistas no nordeste do país, a atuação contra milícias criminosas e a violência comunal em estados do noroeste e centro. 

Rumores sobre insatisfação dentro das fileiras militares, frequentemente alimentados por preocupações com a segurança, a instabilidade e o descontentamento público, não são inéditos, mas sempre foram publicamente rejeitados.

As autoridades militares garantiram que o processo judicial seguirá “os princípios da justiça e do devido processo legal”. A instituição afirmou, em comunicado, que qualquer tentativa de destituir um governo eleito é “incompatível com a ética, os valores e os padrões profissionais” das Forças Armadas. 

A Nigéria, localizada na África Ocidental e banhada pelo golfo da Guiné, faz fronteira com Benim, Níger, Chade e Camarões. O país conquistou a independência do Reino Unido em 1960. Com uma população estimada em mais de 220 milhões de habitantes, é a nação mais populosa da África e uma das maiores economias do continente, com uma atividade centrada na exportação de petróleo e gás natural.

Nigéria em contexto

A sociedade nigeriana é diversa, composta por mais de 250 grupos étnicos, sendo os hauçás, iorubás e igbos os mais numerosos. O inglês é a língua oficial, mas centenas de idiomas indígenas são falados. A religião predominante é o islamismo (53.5%), seguido pelo cristianismo (45.9%), com uma minoria de outras crenças. 

A Nigéria tem um histórico complexo de intervenções militares na política, com vários golpes de estado entre 1966 e 1993, antes do retorno ao regime civil em 1999.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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