Um grupo de oficiais das Forças Armadas da Nigéria vai a julgamento em um tribunal militar após ser acusado de planejar a derrubada do governo do presidente Bola Tinubu. A informação foi confirmada em nota oficial do comando militar.
Ao todo, 16 oficiais foram detidos em outubro do ano passado por atos classificados como indisciplina e violações de regulamentos internos. Na ocasião, o exército negou rumores sobre uma tentativa de golpe. Após a conclusão das investigações, as autoridades reconheceram que parte dos detidos responderá formalmente às acusações.
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Ainda não foi informado quantos dos 16 oficiais serão levados a julgamento. Segundo o comunicado, o processo seguirá os princípios de responsabilização e devido processo legal.
O porta-voz do Quartel-General da Defesa, major-general Samaila Uba, afirmou que a apuração identificou oficiais com indícios de envolvimento em uma conspiração contra o governo eleito. Os acusados com processos instaurados serão apresentados a um painel judicial militar.
Não houve divulgação de datas para o início dos julgamentos. Na nota, as Forças Armadas declararam que qualquer tentativa de afastar um governo eleito contraria os valores institucionais e os padrões profissionais da corporação.
Sensibilidade política e histórico militar
O caso surge em um momento de alerta na África Ocidental, região que testemunhou uma série de golpes de estado desde 2020, com a tomada do poder por militares no Mali, Burkina Faso, Níger e Guiné.
Internamente, as Forças Armadas nigerianas enfrentam pressões operacionais significativas. Os desafios incluem o combate a grupos jihadistas no nordeste do país, a atuação contra milícias criminosas e a violência comunal em estados do noroeste e centro.
Rumores sobre insatisfação dentro das fileiras militares, frequentemente alimentados por preocupações com a segurança, a instabilidade e o descontentamento público, não são inéditos, mas sempre foram publicamente rejeitados.
As autoridades militares garantiram que o processo judicial seguirá “os princípios da justiça e do devido processo legal”. A instituição afirmou, em comunicado, que qualquer tentativa de destituir um governo eleito é “incompatível com a ética, os valores e os padrões profissionais” das Forças Armadas.
A Nigéria, localizada na África Ocidental e banhada pelo golfo da Guiné, faz fronteira com Benim, Níger, Chade e Camarões. O país conquistou a independência do Reino Unido em 1960. Com uma população estimada em mais de 220 milhões de habitantes, é a nação mais populosa da África e uma das maiores economias do continente, com uma atividade centrada na exportação de petróleo e gás natural.
Nigéria em contexto
A sociedade nigeriana é diversa, composta por mais de 250 grupos étnicos, sendo os hauçás, iorubás e igbos os mais numerosos. O inglês é a língua oficial, mas centenas de idiomas indígenas são falados. A religião predominante é o islamismo (53.5%), seguido pelo cristianismo (45.9%), com uma minoria de outras crenças.
A Nigéria tem um histórico complexo de intervenções militares na política, com vários golpes de estado entre 1966 e 1993, antes do retorno ao regime civil em 1999.