O presidente da Nigéria, Bola Tinubu, declarou nesta sexta-feira (19) que pretende promover uma reformulação da segurança nacional ao apresentar o orçamento do governo no Senado. Segundo informações da Agence France-Presse (AFP), a maior parte dos recursos será destinada à defesa, após críticas à condução do governo diante dos inúmeros conflitos no país.
Em discurso, Tinubu afirmou que o governo planeja ampliar os gastos com segurança para reforçar a capacidade de combate das forças armadas e de outras agências de segurança.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A proposta, que inclui a contratação de mais pessoal e a aquisição de equipamentos e armamentos de última geração, é uma resposta ao agravamento dos desafios de segurança no país, após uma série de sequestros promovidos por grupos armados que saqueiam aldeias no noroeste da Nigéria e exigem pagamentos rápidos de resgate.
A escalada da violência teria levado o presidente a adiar sua viagem à cúpula do G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, realizada em novembro na África do Sul.
Tinubu afirmou que toda violência perpetrada por grupos armados ou indivíduos será classificada como terrorismo. Para isso, o governo destinou 5,41 trilhões de nairas, cerca de US$ 3,7 bilhões, para defesa e segurança. Segundo o presidente, os envolvidos em atos de violência política ou sectária também passarão a ser enquadrados como terroristas.
“Sob essa nova arquitetura, qualquer grupo armado ou ator não estatal que porte armas e opere fora da autoridade do Estado será considerado terrorista”, disse Tinubu.
De acordo com autoridades de segurança e analistas, há uma aliança crescente entre grupos armados e gangues jihadistas do nordeste da Nigéria, que nos últimos anos vêm expandindo sua presença nas regiões noroeste e central do país.
No mês passado, Tinubu decretou estado de emergência em segurança em todo o território nacional e ordenou o recrutamento em massa de policiais e militares para combater os sequestros em larga escala. Entre os casos recentes está o rapto de cerca de 300 crianças em uma escola católica no estado de Níger.