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Oposição congolesa questiona acordo de paz com Ruanda e pede diálogo interno

Grupos políticos e religiosos afirmam que pacto assinado em Washington ignora causas profundas dos conflitos no leste da República Democrática do Congo
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, hospeda um acordo de paz assinado com o ministro das Relações Exteriores da RD Congo, Thérèse Kayikwamba Wagner, e o ministro das Relações Exteriores de Ruanda Olivier Nduhungirehe, no Departamento de Estado de Washington, em 27 de junho de 2025.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, hospeda um acordo de paz assinado com a ministra das Relações Exteriores da RD Congo, Thérèse Kayikwamba Wagner, e o ministro das Relações Exteriores de Ruanda Olivier Nduhungirehe, no Departamento de Estado de Washington, em 27 de junho de 2025.

— Mandel Ngan/AFP

14 de julho de 2025

Partidos de oposição, plataformas políticas e organizações sociais da República Democrática do Congo (RDC) divulgaram, no último sábado (12), uma declaração conjunta em que questionam a eficácia do acordo de paz assinado em 27 de junho entre os governos da RDC e de Ruanda, em Washington, nos EUA.

Segundo o documento, assinado por siglas como Ensemble pour la République, o Front Commun pour le Congo e o Cadre de concertation des forces politiques et sociales, o texto firmado nos Estados Unidos não garante uma paz duradoura. Os signatários consideram que o acordo limita-se a uma leitura bilateral da crise no leste do país e negligencia o papel de outras potências regionais envolvidas.

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As críticas também se voltam para as causas internas do conflito. Os partidos acusam o governo congolês de autoritarismo, corrupção, nepotismo e de promover retrocessos no Estado de Direito. Em resposta a esse cenário, os grupos opositores defendem a realização de um diálogo entre congoleses como único caminho para restaurar a coesão nacional.

Chamado por um diálogo nacional

A Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) também se manifestou sobre o tema. Durante evento realizado em Kinshasa na sexta-feira (11), o secretário-geral da entidade, Dom Donatien Nshole, afirmou que qualquer processo de paz deve considerar as raízes profundas da crise. “Se não se buscam as causas profundas, não se faz nada”, disse o bispo, que demonstrou ressalvas ao acordo firmado nos Estados Unidos.

Segundo Nshole, a solução para os conflitos exige uma abordagem holística que leve em conta aspectos sociais, históricos e comunitários. O religioso retomou ainda a proposta do pacto social para a paz e o bem-viver, elaborado pela CENCO em parceria com a Igreja de Cristo no Congo (ECC). O documento, voltado a orientar a sociedade e as autoridades, pretende servir como base para a construção de uma visão compartilhada para o futuro do país.

“Destina-se a inspirar governantes, acadêmicos e cidadãos para construir uma visão compartilhada do futuro do Congo”, explicou Nshole.

Negociações paralelas em Doha

Enquanto aumentam as críticas internas ao acordo de Washington, prosseguem as negociações de paz em Doha, no Qatar. De acordo com fontes diplomáticas, um novo acordo entre RDC e Ruanda pode ser assinado ainda em julho, com mediação do governo catariano.

A expectativa é de que os presidentes Félix Tshisekedi (RDC) e Paul Kagame (Ruanda) se encontrem no próximo dia 27. A mediação impõe ao Ruanda a responsabilidade de cumprir integralmente os termos do novo acordo, numa tentativa de romper com o ciclo de violência que marca a região dos Grandes Lagos.


No entanto, o grupo rebelde M23 permanece isolado nas negociações. Suas principais exigências não foram atendidas, o que, segundo analistas, enfraquece sua legitimidade política e reforça sua vinculação aos interesses do governo ruandês.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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