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Oposição do Sudão do Sul convoca mobilização armada para ‘mudança de regime’

Conflito entre presidente Salva Kiir e rival Riek Machar, acusado de traição, ameaça retorno da guerra civil que matou 400 mil no país
O presidente sul-sudanês Salva Kiir aperta a mão do primeiro ex-vice-presidente Riek Macha, durante cerimônia de posse na State House em Juba, em 22 de fevereiro de 2020, no Sudão do Sul.

O presidente sul-sudanês Salva Kiir aperta a mão do primeiro ex-vice-presidente Riek Macha, durante cerimônia de posse na State House em Juba, em 22 de fevereiro de 2020, no Sudão do Sul.

— Alex McBride/AFP

15 de setembro de 2025

A oposição do Sudão do Sul anunciou nesta segunda-feira (15) uma mobilização armada para promover uma “mudança de regime”, após o governo formalizar acusações de traição, assassinato e crimes contra a humanidade contra o ex-vice-presidente Riek Machar.

Machar foi destituído do cargo na semana passada, depois de meses em prisão domiciliar. Ele é acusado de ordenar um ataque de milicianos de sua etnia, os Nuer, contra uma base militar em março, episódio que teria causado a morte de mais de 250 soldados. Seu grupo nega as acusações e afirma que o processo é uma tentativa do presidente Salva Kiir de enfraquecer a oposição e consolidar o poder.

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Em comunicado, o partido de Machar classificou o governo como um regime de “ditadura, sabotadores da paz e captura do Estado” e convocou seus apoiadores a se apresentarem para o serviço nacional “em defesa dos cidadãos e do país”.

Histórico de conflitos

O Sudão do Sul conquistou a independência em 2011, mas logo mergulhou em uma guerra civil entre os grupos liderados por Kiir e Machar. O conflito, que se estendeu por cinco anos, deixou cerca de 400 mil mortos.

O acordo de paz de 2018 estabeleceu um governo de unidade, mas a implementação tem sido frágil. As eleições previstas para dezembro de 2024 foram adiadas para 2026, e a integração das forças armadas dos dois lados não foi concluída.

Para o analista Daniel Akech, do International Crisis Group, a convocação de Machar tem caráter mais político que militar, já que sua facção não teria capacidade de enfrentar o governo diretamente. Segundo ele, o anúncio funciona como um “alerta vermelho” para a comunidade internacional, que ainda acreditava na viabilidade do acordo de partilha de poder.

Reações e tensões

Líderes da oposição acusam o governo de prender integrantes de seu grupo e de sabotar o processo de paz. “O governo tem nos perseguido, prendido nossos membros e imposto acusações em um tribunal de exceção. Isso mostra que escolheu a instabilidade em vez da paz”, afirmou Pal Mai Deng, porta-voz da facção de Machar.

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul pediu às partes que retomem o diálogo, reduzam a violência e cumpram o acordo de paz assinado em 2018. O governo não respondeu aos questionamentos sobre as acusações e a crise política.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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