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Ligado ao Apartheid, partido tenta atrair eleitores negros na África do Sul

Nova liderança da oposição enfrenta disputas políticas marcadas por debates sobre desigualdade racial no país
O recém-eleito líder federal da Aliança Democrática (DA), Geordin Hill-Lewis, discursa no segundo dia do Congresso Federal da DA, no Centro de Convenções Gallagher, em Midrand, em 12 de abril de 2026.

O recém-eleito líder federal da Aliança Democrática (DA), Geordin Hill-Lewis, discursa no segundo dia do Congresso Federal da DA, no Centro de Convenções Gallagher, em Midrand, em 12 de abril de 2026.

— Ilaria Finizio / AFP

13 de abril de 2026

O novo líder da Aliança Democrática (DA), segunda maior legenda da África do Sul, afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende remodelar o partido para além de sua base eleitoral historicamente branca.

Geordin Hill-Lewis, prefeito da Cidade do Cabo, foi eleito no fim de semana para o comando da legenda de centro-direita. Ele substitui John Steenhuisen, que anunciou em fevereiro sua decisão de não disputar um terceiro mandato.

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A DA foi formada em 2000 a partir da fusão de três partidos majoritariamente brancos. Sua origem remonta aos grupos políticos que instituíram o Apartheid na África do Sul em 1948, regime de segregação racial abolido apenas em 1994, com a eleição de Nelson Mandela. O grupo é frequentemente acusado por adversários de ser um “partido de brancos”.

Desde então, o Congresso Nacional Africano (ANC), partido de Mandela, venceu todas as eleições nacionais, contando com os votos da maioria negra do país (cerca de 79% da população total).

A legenda de oposição sempre enfrentou dificuldades para se desvencilhar da imagem de partido da minoria branca. Na eleição de 2019, mesmo sob a liderança de um homem negro, Mmusi Maimane, a DA obteve cerca de 20% dos votos. 

Em 2024, a legenda melhorou sua performance para 22%. Pesquisas recentes do instituto Ipsos indicam nível semelhante de apoio às vésperas das eleições municipais, previstas entre novembro e janeiro.

Leia mais: Após 40 anos, África do Sul reabre investigação sobre morte de ativistas antiapartheid 

Estratégia de comunicação e desafios raciais

Hill-Lewis declarou a jornalistas que o partido buscará capitalizar a frustração pública com a disfunção política e a falha nos serviços públicos. 

“Quero concentrar o partido em comunicar e, mais importante, demonstrar que nos importamos genuinamente com o avanço de cada sul-africano, independentemente das circunstâncias de seu nascimento”, afirmou, segundo a agência francesa AFP. 

O novo líder acredita que conquistar apoio mais amplo será difícil e citou avanços do país na questão racial. “Por muito tempo, os tipos de segregações raciais na África do Sul foram muito firmes e concretos, mas eles estão rachando e se quebrando”, disse, acrescentando que os eleitores se aproximam daqueles que entregam resultados.

Hill-Lewis afirmou que o partido não abandonará sua oposição a questões controversas como o empoderamento econômico negro (uma política do governo sul-africano que visa facilitar a participação de pessoas negras na economia), o seguro nacional de saúde e os subsídios sociais (pontos de conflito recorrentes na política sul-africana).

Com o desemprego em torno de 31%, milhões de pessoas dependem de assistência social, enquanto as leis de empoderamento buscam corrigir as profundas desigualdades herdadas do Apartheid.

“Esse é o primeiro obstáculo que que temos que superar. Temos que deixar claro para os sul-africanos negros que estamos genuinamente investidos e nos importamos com seu avanço, mas não apoiamos o modelo atual de enriquecimento de elites”, declarou Hill-Lewis.

A África do Sul é atualmente governada por uma tensa coalizão de dez partidos, da qual a DA faz parte. 

A legenda ocupa seis ministérios, contra 20 do ANC, que sofre acusações de corrupção, má gestão e nepotismo. Os brancos sul-africanos representam pouco mais de 7% da população do país de 63 milhões de pessoas.

Leia mais: Partido de Mandela perde maioria no Parlamento da África do Sul pela 1ª vez desde fim do apartheid

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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