O novo líder da Aliança Democrática (DA), segunda maior legenda da África do Sul, afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende remodelar o partido para além de sua base eleitoral historicamente branca.
Geordin Hill-Lewis, prefeito da Cidade do Cabo, foi eleito no fim de semana para o comando da legenda de centro-direita. Ele substitui John Steenhuisen, que anunciou em fevereiro sua decisão de não disputar um terceiro mandato.
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A DA foi formada em 2000 a partir da fusão de três partidos majoritariamente brancos. Sua origem remonta aos grupos políticos que instituíram o Apartheid na África do Sul em 1948, regime de segregação racial abolido apenas em 1994, com a eleição de Nelson Mandela. O grupo é frequentemente acusado por adversários de ser um “partido de brancos”.
Desde então, o Congresso Nacional Africano (ANC), partido de Mandela, venceu todas as eleições nacionais, contando com os votos da maioria negra do país (cerca de 79% da população total).
A legenda de oposição sempre enfrentou dificuldades para se desvencilhar da imagem de partido da minoria branca. Na eleição de 2019, mesmo sob a liderança de um homem negro, Mmusi Maimane, a DA obteve cerca de 20% dos votos.
Em 2024, a legenda melhorou sua performance para 22%. Pesquisas recentes do instituto Ipsos indicam nível semelhante de apoio às vésperas das eleições municipais, previstas entre novembro e janeiro.
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Estratégia de comunicação e desafios raciais
Hill-Lewis declarou a jornalistas que o partido buscará capitalizar a frustração pública com a disfunção política e a falha nos serviços públicos.
“Quero concentrar o partido em comunicar e, mais importante, demonstrar que nos importamos genuinamente com o avanço de cada sul-africano, independentemente das circunstâncias de seu nascimento”, afirmou, segundo a agência francesa AFP.
O novo líder acredita que conquistar apoio mais amplo será difícil e citou avanços do país na questão racial. “Por muito tempo, os tipos de segregações raciais na África do Sul foram muito firmes e concretos, mas eles estão rachando e se quebrando”, disse, acrescentando que os eleitores se aproximam daqueles que entregam resultados.
Hill-Lewis afirmou que o partido não abandonará sua oposição a questões controversas como o empoderamento econômico negro (uma política do governo sul-africano que visa facilitar a participação de pessoas negras na economia), o seguro nacional de saúde e os subsídios sociais (pontos de conflito recorrentes na política sul-africana).
Com o desemprego em torno de 31%, milhões de pessoas dependem de assistência social, enquanto as leis de empoderamento buscam corrigir as profundas desigualdades herdadas do Apartheid.
“Esse é o primeiro obstáculo que que temos que superar. Temos que deixar claro para os sul-africanos negros que estamos genuinamente investidos e nos importamos com seu avanço, mas não apoiamos o modelo atual de enriquecimento de elites”, declarou Hill-Lewis.
A África do Sul é atualmente governada por uma tensa coalizão de dez partidos, da qual a DA faz parte.
A legenda ocupa seis ministérios, contra 20 do ANC, que sofre acusações de corrupção, má gestão e nepotismo. Os brancos sul-africanos representam pouco mais de 7% da população do país de 63 milhões de pessoas.
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