O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou que a implementação do Acordo Revitalizado para a Resolução do Conflito no Sudão do Sul segue em ritmo lento e cobrou ações imediatas para destravar o processo político no país.
A declaração foi feita na abertura da reunião do Comitê de Alto Nível da União Africana para o Sudão do Sul (C5), que ocorreu de forma conjunta com representantes das Nações Unidas, da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) e da Comunidade da África Oriental (EAC).
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Ramaphosa, anfitrião do encontro, abriu a reunião com um diagnóstico sobre a situação no país. “Oito anos depois, a implementação do Acordo Revitalizado permanece lenta”, afirmou em discurso. O documento foi assinado em 2018 como tentativa de encerrar o conflito que opõe forças leais ao presidente Salva Kiir e ao vice-presidente Riek Machar.
O Sudão do Sul, mais jovem membro da União Africana, enfrenta instabilidade desde sua independência em 2011. O país programou eleições para dezembro de 2026, o que torna este ano um período definido como “fundamental” pelas lideranças continentais.
Condições para eleições e diálogo nacional
O governo do Sudão do Sul manifestou intenção de realizar eleições em dezembro e convocar um diálogo nacional para resolver questões pendentes antes do pleito. Os líderes africanos acolheram a iniciativa, mas impuseram condições para que o processo resulte em paz duradoura.
“Eleições por si só não garantirão paz duradoura”, alertou Ramaphosa. O discurso de abertura elencou duas exigências principais: a criação de um ambiente político e de segurança propício, com cessação da violência; e processos políticos e legais genuinamente inclusivos, que reúnam todos os signatários e partes interessadas no Acordo Revitalizado.
A mensagem central endereçada às partes do conflito foi de convocação ao diálogo imediato. “Esta Cúpula Ampliada deve enviar uma mensagem clara e unificada que convoque todas as partes interessadas ao diálogo sem demora”, afirmou Ramaphosa.
Riscos e urgência
O discurso de Ramaphosa apontou os riscos do momento atual. “As escolhas feitas nos próximos meses determinarão se o Sudão do Sul avançará em direção a uma paz duradoura ou retornará a ciclos de instabilidade“, afirmou.
O comitê manifestou apoio à proposta de nomeação de um ex-chefe de Estado pelo presidente da Comissão da União Africana para atuar como mediador entre as partes signatárias. O enviado especial teria a função de facilitar o diálogo entre o presidente Salva Kiir e o vice-presidente Riek Machar, cuja rivalidade está na raiz do conflito.
A proposta inclui a criação de um mecanismo de supervisão envolvendo o C5 e a IGAD para acompanhar o progresso das negociações e reportar periodicamente aos chefes de Estado.