A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta sexta-feira (29) a primeira recuperação registrada entre pacientes diagnosticados com ebola no atual surto da doença na República Democrática do Congo (RDC). O paciente recebeu alta hospitalar no último dia 27 de maio, após apresentar dois testes negativos para o vírus.
O anúncio ocorreu durante coletiva de imprensa da OMS em Genebra. Segundo Anais Legand, responsável técnica da agência para febres hemorrágicas virais, esta foi a primeira alta entre casos confirmados laboratorialmente desde a declaração oficial da epidemia, em 15 de maio.
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“A RDC informou que, em 27 de maio, um paciente se recuperou, deixou o hospital e recebeu alta para retornar à comunidade”, afirmou Legand.
A representante da OMS ressaltou que outras pessoas provavelmente já se recuperaram sem confirmação laboratorial dos testes, devido às limitações na identificação dos casos.
A OMS registrou, até o momento, 125 casos confirmados de ebola na RDC. O país contabiliza 17 mortes confirmadas e 223 mortes suspeitas associadas ao vírus. A declaração do surto ocorreu em 15 de maio.
Em Uganda, país vizinho, as autoridades confirmaram sete casos. O território ugandense registrou uma morte. Legand informou que três desses casos vieram da RDC. Os outros casos em Uganda apresentam “ligação” com o surto original. A OMS não identificou, até o momento, evidência de transmissão comunitária no país.
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Profissionais de saúde entre os afetados
Dos casos confirmados na RDC, 16 ocorreram entre profissionais de saúde. O grupo enfrenta vulnerabilidade particular ao ebola, doença que se espalha por fluidos corporais e contato próximo com pacientes sintomáticos ou corpos de vítimas fatais.
“É uma doença terrível”, alertou Legand. “Você a contrai quando quer ajudar alguém que está doente.”
Ela destacou a complexidade da resposta a esses surtos. Para interromper a transmissão, “é preciso que as comunidades não toquem em alguém que amam quando essa pessoa está se sentindo doente”.
Legand enfatizou a importância do acesso rápido aos serviços de saúde. “O mais importante é que possamos apoiá-los para obter acesso precoce ao cuidado”, disse, ressaltando que essa medida melhora as taxas de sobrevivência.
“Podemos intensificar os cuidados intensivos otimizados. Podemos apoiar as comunidades para reconhecer os sintomas precocemente e obter diagnósticos rápidos, para que recebam o nível de cuidado de que precisam. O acesso ao cuidado pode ajudar a salvar vidas.”
Cepa Bundibugyo tem taxa de letalidade de até 50%
Não existe vacina nem tratamento específico para a cepa Bundibugyo do ebola, responsável pelo surto atual. Essa variante pode matar até 50% dos infectados. Nos casos registrados até agora, a taxa de letalidade aparece abaixo de 25%, embora o número ainda possa mudar.
A OMS recomenda medidas rigorosas de prevenção e controle de infecções. Enterros seguros dos corpos altamente infecciosos também são essenciais para conter a transmissão.
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