Pelo menos oito refugiados congoleses morreram de cólera, disse na quarta-feira (24) um auxiliar de saúde, apontando que milhares de pessoas enfrentam condições “catastróficas” em declaração à agência francesa AFP.
Os refugiados estão fugindo para o Burundi após os mais recentes avanços do grupo armado M23, apoiado por Ruanda, em uma disputa pelo controle de minerais estratégicos na região.
Segundo a declaração, cerca de 80 mil pessoas fugiram para o país vizinho desde os avanços do grupo armado no início de dezembro e agora enfrentam situação precária em campos de refugiados sem o auxílio necessário.
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“A situação é catastrófica […] porque estamos diante de dezenas de milhares de refugiados que precisam desesperadamente de tudo — comida, abrigo, água, remédios”, disse à agência o auxiliar, que prefere não se identificar, apontando que as autoridades do Burundi querem manter os números em segredo.
O auxiliar apela para que a comunidade internacional tome medidas antes que os campos de refugiados se tornem “locais de morte”. Ele aponta que até agora cerca de 150 casos de cólera foram registrados.

Após tomar o poder de cidades congolesas importantes como Goma, em janeiro, e Bukavu, em fevereiro, o M23 lançou uma nova ofensiva no início de dezembro próximo da fronteira com o Burundi, mesmo após um acordo de paz assinado nos Estados Unidos entre Ruanda e RD Congo. Em 10 de dezembro, o grupo tomou a cidade de Uvira, na região fronteiriça, levantando temores de que a guerra se espalhe na região.
Em meio à situação dos refugiados, a Organização das Nações Unidas (ONU) pede US$ 33 milhões (cerca de R$ 182 milhões) para financiar a ajuda humanitária. Na terça-feira (23), a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) declarou em comunicado que 42% dos testes de malária realizados pelo grupo deram positivo.
“Quarenta e dois por cento dos testes de malária realizados nos últimos dias deram positivo. No campo de Ndava, tratamos 14 casos confirmados de cólera e identificamos um caso suspeito de sarampo”, disse no documento Zakari Moluh, que coordena o projeto da MSF no Burundi.
De acordo com estimativas com a agência de refugiados da ONU, desde o início da mais recente ofensiva do M23, em 2 de dezembro, 500 mil pessoas ficaram desabrigadas apenas na província de Kivu do Sul, na RD Congo, incluindo 250 mil pessoas na região de Kamanyola e Uvira.