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Refugiados da RD Congo enfrentam ‘caos’ no Burundi e 8 morrem em surto de cólera

A entrada do posto de controle de Kavimvira, na fronteira entre Burundi a República Democrática do Congo, 14 de novembro de 2025

A entrada do posto de controle de Kavimvira, na fronteira entre Burundi a República Democrática do Congo, 14 de novembro de 2025

— Jospin Mwisha/AFP

27 de dezembro de 2025

Pelo menos oito refugiados congoleses morreram de cólera, disse na quarta-feira (24) um auxiliar de saúde, apontando que milhares de pessoas enfrentam condições “catastróficas” em declaração à agência francesa AFP.

Os refugiados estão fugindo para o Burundi após os mais recentes avanços do grupo armado M23, apoiado por Ruanda, em uma disputa pelo controle de minerais estratégicos na região.

Segundo a declaração, cerca de 80 mil pessoas fugiram para o país vizinho desde os avanços do grupo armado no início de dezembro e agora enfrentam situação precária em campos de refugiados sem o auxílio necessário.

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“A situação é catastrófica […] porque estamos diante de dezenas de milhares de refugiados que precisam desesperadamente de tudo — comida, abrigo, água, remédios”, disse à agência o auxiliar, que prefere não se identificar, apontando que as autoridades do Burundi querem manter os números em segredo.

O auxiliar apela para que a comunidade internacional tome medidas antes que os campos de refugiados se tornem “locais de morte”. Ele aponta que até agora cerca de 150 casos de cólera foram registrados.

Soldados burundeses atendem, em Kavimvira, a uma fila de cidadãos do Burundi em um posto na fronteira com a República Democrática do Congo, próximo da cidade congolesa de Uvira, em 14 de dezembro de 2025
Soldados burundeses atendem, em Kavimvira, a uma fila de cidadãos do Burundi em um posto na fronteira com a República Democrática do Congo, próximo da cidade congolesa de Uvira, em 14 de dezembro de 2025 (Foto: Jospin Mwisha/AFP)

Após tomar o poder de cidades congolesas importantes como Goma, em janeiro, e Bukavu, em fevereiro, o M23 lançou uma nova ofensiva no início de dezembro próximo da fronteira com o Burundi, mesmo após um acordo de paz assinado nos Estados Unidos entre Ruanda e RD Congo. Em 10 de dezembro, o grupo tomou a cidade de Uvira, na região fronteiriça, levantando temores de que a guerra se espalhe na região.

Em meio à situação dos refugiados, a Organização das Nações Unidas (ONU) pede US$ 33 milhões (cerca de R$ 182 milhões) para financiar a ajuda humanitária. Na terça-feira (23), a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) declarou em comunicado que 42% dos testes de malária realizados pelo grupo deram positivo.

“Quarenta e dois por cento dos testes de malária realizados nos últimos dias deram positivo. No campo de Ndava, tratamos 14 casos confirmados de cólera e identificamos um caso suspeito de sarampo”, disse no documento Zakari Moluh, que coordena o projeto da MSF no Burundi.

De acordo com estimativas com a agência de refugiados da ONU, desde o início da mais recente ofensiva do M23, em 2 de dezembro, 500 mil pessoas ficaram desabrigadas apenas na província de Kivu do Sul, na RD Congo, incluindo 250 mil pessoas na região de Kamanyola e Uvira.

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  • Solon Neto

    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

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