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Serra Leoa cria data nacional em homenagem às vítimas da guerra civil  

Data relembra um dos conflitos mais brutais da história do país em memória aos sobreviventes da guerra encerrada em 2002
Um homem observa os nomes das pessoas que morreram durante a guerra civil em Serra Leoa, no Museu da Paz em Freetown, em 18 de janeiro de 2026, no primeiro Dia Nacional da Lembrança em memória das vítimas.

Um homem observa os nomes das pessoas que morreram durante a guerra civil em Serra Leoa, no Museu da Paz em Freetown, em 18 de janeiro de 2026, no primeiro Dia Nacional da Lembrança em memória das vítimas.

— Reprodução/AFP

19 de janeiro de 2026

Serra Leoa celebrou no domingo (18) o primeiro Dia Nacional da Lembrança, dedicado às vítimas da guerra civil e aos sobreviventes do conflito que assolou o país por mais de uma década. A data foi declarada oficialmente pelo presidente Julius Maada Bio.

A escolha do dia faz referência ao momento em que o então presidente Ahmad Tejan Kabbah declarou oficialmente o fim da guerra civil, em 2002. Considerada uma das mais brutais da história atual, a guerra começou em 1991, quando confrontos oriundos da vizinha Libéria se espalharam pelo território e rebeldes entraram em choque com as Forças Armadas de Serra Leoa. O conflito deixou cerca de 120 mil mortos, além de milhares de feridos e mutilados.

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Segundo o presidente serra-leonês, Julius Maada Bio, a celebração anual visa preservar a memória, restaurar a dignidade e manter a nação unida em um caminho de reconciliação.

“Pela primeira vez em nossa história, nos reunimos em um único dia para relembrar nossa guerra civil e o alto preço que nosso país pagou pela paz”, declarou em um discurso à nação.

De acordo com comunicado público do Ministério da Informação e Educação Cívica, a guerra foi travada pela Frente Revolucionária Unida (RUF, na sigla em inglês), liderada por Foday Sankoh, ex-líder rebelde do país, sob o pretexto de combater a corrupção, a má governança, o nepotismo e a marginalização da juventude. 

No entanto, o movimento foi marcado por extrema crueldade, com comunidades inteiras destruídas e mortes brutais, resultando em uma grave crise humanitária e colapso econômico.

Após o fim do conflito, foi criada a Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR), responsável por documentar as atrocidades, dar voz às vítimas, permitir que os perpetradores confrontassem seus atos e ajudar a sociedade a compreender seu passado traumático. A comissão também buscou responsabilização e reformas institucionais e de governança, para evitar a repetição da história.

Como resultado desse processo, foi elaborado um relatório que, entre suas recomendações, indicava a criação de uma data nacional para homenagear as vítimas da guerra.

“Este ato não foi meramente simbólico, mas sim uma profunda declaração de liderança, responsabilidade moral e consciência nacional. Sinalizou uma decisão deliberada de confrontar o passado, honrar os mortos, confortar os vivos e educar as futuras gerações sobre o custo dos conflitos”, afirmou trecho da nota. 

Em 2002, um tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) indiciou 23 pessoas por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo o ex-presidente liberiano Charles Taylor, condenado a 50 anos de prisão.

Sobre Serra Leoa

Serra Leoa, oficialmente chamada de República da Serra Leoa, é um país localizado na África Ocidental, tendo Freetown como capital. Antiga colônia do Reino Unido, a nação conquistou sua independência em 1961. O inglês é o idioma oficial do país, além de línguas regionais faladas por diferentes grupos étnicos, como o mende, predominante no sul, e o temne, mais comum no norte. A nação possui uma população estimada em 8,9 milhões de habitantes. A maioria da população é formada por muçulmanos (77,1%), enquanto os cristãos representam cerca de 22,9% dos habitantes.

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  • Thayná Santana

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