PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Criticado por africanos, reconhecimento da Somalilândia por Israel ganha apoio dos EUA na ONU

Posição norte-americana respalda gesto israelense e enfrenta críticas da Somália e de países africanos que rejeitam a secessão do território somali; EUA citaram caso da Palestina em fala no Conselho de Segurança
A representante adjunta estadunidense Tammy Bruce, durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

A representante adjunta estadunidense Tammy Bruce, durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

— Reprodução/Redes Sociais

30 de dezembro de 2025

Os Estados Unidos defenderam publicamente, na segunda-feira (29), o direito de Israel de reconhecer a autoproclamada república da Somalilândia como um Estado independente. Durante uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a representante adjunta norte-americana, Tammy Bruce, comparou o ato israelense ao reconhecimento da Palestina por diversos países.

“Israel tem o mesmo direito de estabelecer relações diplomáticas que qualquer Estado soberano”, declarou Bruce. Ela acrescentou: “No início deste ano, vários países, incluindo membros deste Conselho, tomaram a decisão unilateral de reconhecer um inexistente Estado da Palestina“. A diplomata ressaltou, no entanto, que a política dos Estados Unidos de não reconhecer a Somalilândia não mudou.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O embaixador da Somália nas Nações Unidas, Abukar Osman, que também falou em nome de Serra Leoa, Argélia e Guiana, condenou veementemente a decisão israelense. Ele a classificou como um “ato de agressão” que busca “promover a fragmentação do território somali”.

O enviado israelense à ONU, Jonathan Miller, rebateu as acusações. Ele afirmou que o reconhecimento “não é uma ação hostil contra a Somália”.

O embaixador da Eslovênia, Samuel Zhogar, cujo país reconhece o Estado palestino, rejeitou a comparação feita pelos EUA. “A Palestina não faz parte de nenhum Estado. É um território ocupado ilegalmente, conforme declarado pela Corte Internacional de Justiça”, argumentou. “A Somalilândia, por outro lado, faz parte de um Estado-membro da ONU e reconhecê-la vai contra a Carta das Nações Unidas”, concluiu.

O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante uma coletiva de imprensa na Flórida, em 29 de dezembro de 2025.

Contexto do reconhecimento e reações Internacionais

Israel anunciou o reconhecimento oficial da Somalilândia na sexta-feira (26), tornando-se o primeiro país a aceitá-la como um Estado independente. O território, situado no Chifre da África, declarou sua independência da Somália em 1991, mas nunca havia obtido reconhecimento formal de nenhuma nação.

A decisão provocou uma onda de condenações. A Somália classificou o ato como um “ataque deliberado contra sua soberania”. A União Africana, bloco que reúne 55 países, advertiu sobre o “risco de criar um precedente perigoso” para a estabilidade continental.

A União Europeia defendeu o respeito à soberania da Somália. Países como Turquia, Djibuti, Egito e a Autoridade Palestina também rejeitaram a iniciativa. Até mesmo o grupo armado Al-Shabaab, que atua na Somália, emitiu um comunicado para condenar o reconhecimento.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia se posicionado contra a medida na sexta-feira (26), afirmando que Washington não seguiria os passos de Israel.

Interesse estratégico de Israel

A Somalilândia ocupa uma posição geopolítica estratégica, localizada na entrada do Estreito de Bab el-Mandeb. Este estreito é uma das rotas comerciais marítimas mais movimentadas do mundo, conectando o oceano Índico ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez.

Segundo a agência francesa AFP, analistas apontam que a decisão israelense foi motivada por interesses de segurança regional. Israel busca aliados na área do Mar Vermelho, em parte como resposta aos ataques dos rebeldes houthis do Iêmen, que são apoiados pelo Irã. Israel já realizou bombardeios no Iêmen em retaliação a esses ataques.


Ainda segundo os especialistas, o reconhecimento também faz parte de um esforço mais amplo de Israel para fortalecer relações com países da África e do Oriente Médio, esforços que foram interrompidos pelo massacre em Gaza.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano