Os Estados Unidos defenderam publicamente, na segunda-feira (29), o direito de Israel de reconhecer a autoproclamada república da Somalilândia como um Estado independente. Durante uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a representante adjunta norte-americana, Tammy Bruce, comparou o ato israelense ao reconhecimento da Palestina por diversos países.
“Israel tem o mesmo direito de estabelecer relações diplomáticas que qualquer Estado soberano”, declarou Bruce. Ela acrescentou: “No início deste ano, vários países, incluindo membros deste Conselho, tomaram a decisão unilateral de reconhecer um inexistente Estado da Palestina“. A diplomata ressaltou, no entanto, que a política dos Estados Unidos de não reconhecer a Somalilândia não mudou.
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O embaixador da Somália nas Nações Unidas, Abukar Osman, que também falou em nome de Serra Leoa, Argélia e Guiana, condenou veementemente a decisão israelense. Ele a classificou como um “ato de agressão” que busca “promover a fragmentação do território somali”.
O enviado israelense à ONU, Jonathan Miller, rebateu as acusações. Ele afirmou que o reconhecimento “não é uma ação hostil contra a Somália”.
O embaixador da Eslovênia, Samuel Zhogar, cujo país reconhece o Estado palestino, rejeitou a comparação feita pelos EUA. “A Palestina não faz parte de nenhum Estado. É um território ocupado ilegalmente, conforme declarado pela Corte Internacional de Justiça”, argumentou. “A Somalilândia, por outro lado, faz parte de um Estado-membro da ONU e reconhecê-la vai contra a Carta das Nações Unidas”, concluiu.

Contexto do reconhecimento e reações Internacionais
Israel anunciou o reconhecimento oficial da Somalilândia na sexta-feira (26), tornando-se o primeiro país a aceitá-la como um Estado independente. O território, situado no Chifre da África, declarou sua independência da Somália em 1991, mas nunca havia obtido reconhecimento formal de nenhuma nação.
A decisão provocou uma onda de condenações. A Somália classificou o ato como um “ataque deliberado contra sua soberania”. A União Africana, bloco que reúne 55 países, advertiu sobre o “risco de criar um precedente perigoso” para a estabilidade continental.
A União Europeia defendeu o respeito à soberania da Somália. Países como Turquia, Djibuti, Egito e a Autoridade Palestina também rejeitaram a iniciativa. Até mesmo o grupo armado Al-Shabaab, que atua na Somália, emitiu um comunicado para condenar o reconhecimento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia se posicionado contra a medida na sexta-feira (26), afirmando que Washington não seguiria os passos de Israel.
Interesse estratégico de Israel
A Somalilândia ocupa uma posição geopolítica estratégica, localizada na entrada do Estreito de Bab el-Mandeb. Este estreito é uma das rotas comerciais marítimas mais movimentadas do mundo, conectando o oceano Índico ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez.
Segundo a agência francesa AFP, analistas apontam que a decisão israelense foi motivada por interesses de segurança regional. Israel busca aliados na área do Mar Vermelho, em parte como resposta aos ataques dos rebeldes houthis do Iêmen, que são apoiados pelo Irã. Israel já realizou bombardeios no Iêmen em retaliação a esses ataques.
Ainda segundo os especialistas, o reconhecimento também faz parte de um esforço mais amplo de Israel para fortalecer relações com países da África e do Oriente Médio, esforços que foram interrompidos pelo massacre em Gaza.