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Ex-diplomata da Bélgica será julgado por assassinato de Patrice Lumumba

Decisão ocorre 15 anos depois do filho mais velho do primeiro-ministro congolês apresentar uma queixa-crime em Bruxelas; crime é um dos mais emblemáticos da era colonial
O então primeiro-ministro da República Democrática do Congo, Patrice Lumumba, concede coletiva de imprensa, Leopoldville, 12 de agosto de 1969

O então primeiro-ministro da República Democrática do Congo, Patrice Lumumba, concede coletiva de imprensa, Leopoldville, 12 de agosto de 1969.

— AFP

17 de março de 2026

A Câmara do Conselho do Tribunal de Primeira Instância de Bruxelas, na Bélgica, decidiu nesta terça-feira (17) que o ex-diplomata Étienne Davignon será julgado por envolvimento no sequestro que levou ao assassinato de Patrice Emery Lumumba, que foi o primeiro primeiro-ministro democraticamente eleito na República Democrática do Congo (RDC), em janeiro de 1961.

Para o tribunal, o assassinato do líder político constitui um crime de guerra imprescritível. A decisão ocorre 15 anos depois de François Lumumba, filho mais velho de Patrice, ter apresentado uma queixa-crime nos tribunais de Bruxelas contra 11 cidadãos belgas suspeitos de envolvimento nos eventos que levaram à morte de seu pai. 

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Aos 93 anos, Davignon é o último suspeito do crime ainda vivo. O caso foi ouvido pela primeira vez na Câmara do Conselho somente em 20 de janeiro de 2026, ocasião em que dez membros adicionais da família Lumumba (representando os netos) juntaram-se ao processo como partes civis.

Roland Lumumba, filho do primeiro-ministro congolês, declarou que o objetivo do processo não é punitivo, mas a busca pela verdade histórica. 

O caso é um dos assassinatos políticos mais emblemáticos da era colonial e é marcado por detalhes sensíveis, como o fato de o único resto mortal conhecido de Lumumba (um dente guardado por décadas por um agente belga) ter sido devolvido à RDC apenas em 2022.

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