O governo da República Democrática do Congo (RDC) e o grupo armado M23 assinaram, nesta terça-feira (14), um mecanismo para verificar o cumprimento do cessar-fogo, firmado em julho.
O acordo de verificação foi assinado pelo negociador chefe do grupo M23 René Abandi e pelo representante do presidente congolês Félix Tshisekedi, Sumbu Sita. Também estiveram presentes delegações do Catar, Estados Unidos, União Africana e o ex-ministro das Relações Exteriores do Mali, Zahabi Ould Sidi Mohamed.
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No documento, ambas partes do conflito concordam com o Mecanismo de Verificação Conjunta Expandido da Conferência Internacional sobre
a Região dos Grandes Lagos (ICGLR), dispositivo que será responsável por monitorar e investigar as alegações de violações de cessar-fogo.
Elaborado pelo Catar, o acordo integra as negociações que vêm sendo realizadas em Doha desde julho. À época, as duas partes do conflito comprometeram-se com um cessar-fogo permanente e assinaram uma declaração de compromissos, que seguiu um acordo firmado entre a RD Congo e Ruanda, país acusado de apoiar o M23.
Inicialmente, o documento previa a conclusão das negociações até 18 de agosto, o que não foi cumprido. A iniciativa se soma às demais tentativas de cessar-fogo, como a mediação da África Oriental e a atuação da União Africana.
Mesmo durante as negociações, novos combates entre as Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) e o grupo armado M23 foram registrados na cidade de Mulamba. Testemunhas denunciaram à Agence France-Presse (AFP) que os conflitos utilizaram armamento pesado e bombas, com disparos atingindo diversas regiões.
Após a assinatura do acordo de verificação, as delegações continuarão as negociações, agora voltadas para a implementação do mecanismo de troca de prisioneiros, previsto no acordo firmado anteriormente.
O conflito, concentrado no leste do país, envolve interesses de potências regionais, como Ruanda e Uganda, e também de multinacionais do Norte Global, que se beneficiam da extração ilegal de recursos como ouro, cobalto e coltã. Desde 1994, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas tenham sido vítimas do conflito, marcado por deslocamentos forçados, estupros em massa, assassinatos e instabilidade política.
O grupo M23 controla extensas áreas no leste congolês, incluindo as cidades de Bukavu e Goma, capturadas no início de 2025. Segundo relatório do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Coordenação de Assuntos Humanitários, desde janeiro deste ano, mais de 2 milhões de congoleses fugiram da violência.