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RD Congo e M23 assinam monitoramento de cessar-fogo

Iniciativa prevê a verificação do cessar-fogo firmado em julho e a criação de mecanismo de monitoramento conjunto
Soldados das Forças Armadas da RDC (FARDC) durante operação na cidade de Mutwanga, em Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo, em 17 de dezembro de 2024.

Soldados das Forças Armadas da RDC (FARDC) durante operação na cidade de Mutwanga, em Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo, em 17 de dezembro de 2024.

— Philémon Barbier/AFP

14 de outubro de 2025

O governo da República Democrática do Congo (RDC) e o grupo armado M23 assinaram, nesta terça-feira (14), um mecanismo para verificar o cumprimento do cessar-fogo, firmado em julho.

O acordo de verificação foi assinado pelo negociador chefe do grupo M23 René Abandi e pelo representante do presidente congolês Félix Tshisekedi, Sumbu Sita. Também estiveram presentes delegações do Catar, Estados Unidos, União Africana e o ex-ministro das Relações Exteriores do Mali, Zahabi Ould Sidi Mohamed.

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No documento, ambas partes do conflito concordam com o Mecanismo de Verificação Conjunta Expandido da Conferência Internacional sobre

a Região dos Grandes Lagos (ICGLR), dispositivo que será responsável por monitorar e investigar as alegações de violações de cessar-fogo. 

Elaborado pelo Catar, o acordo integra as negociações que vêm sendo realizadas em Doha desde julho. À época, as duas partes do conflito comprometeram-se com um cessar-fogo permanente e assinaram uma declaração de compromissos, que seguiu um acordo firmado entre a RD Congo e Ruanda, país acusado de apoiar o M23.

Inicialmente, o documento previa a conclusão das negociações até 18 de agosto, o que não foi cumprido. A iniciativa se soma às demais tentativas de cessar-fogo, como a mediação da África Oriental e a atuação da União Africana.

Mesmo durante as negociações, novos combates entre as Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC) e o grupo armado M23 foram registrados na cidade de Mulamba. Testemunhas denunciaram à Agence France-Presse (AFP) que os conflitos utilizaram armamento pesado e bombas, com disparos atingindo diversas regiões. 

Após a assinatura do acordo de verificação, as delegações continuarão as negociações, agora voltadas para a implementação do mecanismo de troca de prisioneiros, previsto no acordo firmado anteriormente. 

O conflito, concentrado no leste do país, envolve interesses de potências regionais, como Ruanda e Uganda, e também de multinacionais do Norte Global, que se beneficiam da extração ilegal de recursos como ouro, cobalto e coltã. Desde 1994, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas tenham sido vítimas do conflito, marcado por deslocamentos forçados, estupros em massa, assassinatos e instabilidade política.

O grupo M23 controla extensas áreas no leste congolês, incluindo as cidades de Bukavu e Goma, capturadas no início de 2025. Segundo relatório do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Coordenação de Assuntos Humanitários, desde janeiro deste ano, mais de 2 milhões de congoleses fugiram da violência. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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