A União Europeia (UE) e a África do Sul formalizaram, na quinta-feira (20), um acordo para intensificar a exploração, a extração e o refino de minerais e metais no território sul-africano. A assinatura ocorreu em Joanesburgo, durante reunião entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.
A parceria estabelece as bases para novos projetos industriais de interesse comum, com foco na cadeia dos minerais críticos — insumos essenciais para baterias, eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética na Europa.
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Segundo declaração da UE, o acordo visa identificar oportunidades conjuntas em todas as etapas da cadeia produtiva, incluindo a reciclagem.
Von der Leyen afirmou que os minerais são indispensáveis para o avanço das energias limpas. Ramaphosa classificou o pacto como um marco para gerar valor dentro do país, ressaltando que o processamento deverá ocorrer em território sul-africano.
A África do Sul possui mais de três quartos das reservas globais de metais do grupo da platina, além de liderar em manganês e figurar entre os maiores produtores de cromo.
O acordo se consolida em um momento de instabilidade geopolítica, no qual a UE busca reduzir dependências externas, sobretudo da China, que ampliou restrições à exportação de minerais estratégicos.
Agenda do G20: dívida e desigualdade
A presidência sul-africana do G20 trabalha sob o tema “Solidariedade, igualdade e sustentabilidade”. A África do Sul buscará compromissos para o alívio da dívida dos países com desenvolvimento em curso. A ampliação do financiamento para a adaptação às mudanças climáticas é outra prioridade.
A crise da dívida é um problema grave no continente. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) informam que países africanos destinaram R$ 373 por pessoa ao pagamento de juros da dívida entre 2021 e 2023. Esse valor supera os investimentos médios em educação (R$ 336) e saúde (R$ 234) no mesmo período.
A África do Sul também apresentará uma recomendação para a criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade. O Painel funcionaria de forma semelhante ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, focado em questões climáticas. O estabelecimento do Painel representa um avanço para países do Sul Global.