A Alma Preta e a Galaxies anunciam o lançamento oficial do projeto “Sentindo na Pele”, uma iniciativa colaborativa que estabelece um novo patamar na coleta e uso de dados sobre racismo estrutural e inclusão no Brasil. A pesquisa, que se propõe a ser a maior e mais abrangente sobre o tema no país, tem como objetivo transformar a experiência coletiva e individual da população negra em um dataset robusto e acionável.
Para Elaine Silva, sócia e diretora da Alma Preta, a parceria com a Galaxies representa a materialização de um novo caminho para o ativismo de dados. Ela ressalta que o projeto é fundamental por transformar vivências e histórias coletadas em fatos incontestáveis.
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“O ‘Sentindo na Pele’ traduz a dor e a realidade do racismo sentido diariamente em um dado vivo, acionável e impossível de ser ignorado. É a tecnologia a serviço da urgência antirracista, transformando a experiência coletiva da população negra em uma ferramenta para gerar diálogo, educar e, finalmente, impulsionar mudanças concretas no mercado e na sociedade brasileira”, aponta.
A iniciativa parte da premissa de que “o racismo no Brasil não é exceção, é rotina. Está nos olhares, nas portas que não se abrem e nas oportunidades negadas”. Por meio de um questionário nacional de grande escala, o projeto mergulha na escuta ativa para mapear percepções reais sobre racismo, barreiras de inclusão, representatividade e as nuances das vivências negras.
Metodologia inovadora: da escuta à Persona Sintética
O “Sentindo na Pele” adota uma metodologia em duas fases principais. A primeira delas é a coleta de dados em escala nacional, em que por meio de um questionário abrangente, o projeto coleta percepções e histórias reais sobre racismo, barreiras de inclusão e a falta de representatividade em diversos setores da sociedade. A participação é fundamental para construir um painel de dados que reflita a diversidade e a profundidade da questão racial no país.
Em um segundo momento, será feita a Análise e Geração da Persona Sintética, onde a Galaxies, utilizando sua expertise em tecnologia de dados e Inteligência Artificial (IA), processará e analisará as informações coletadas. O resultado dessa análise se materializa em uma Persona Sintética. Esta persona não é um indivíduo real, mas sim uma representação digital complexa e multifacetada, desenvolvida a partir da consolidação estatística e narrativa das histórias e dados de milhares de respondentes.
Daniel Victorino, co-fundador e CEO da Galaxies, explica que a Persona Sintética é um perfil digital: “Ela nasce da combinação entre métodos clássicos de pesquisa, que estruturam o que a população vive e sente, e modelos avançados de IA que aprendem esses padrões com bastante precisão.”
A Galaxies garante a autenticidade e o respeito no processo de criação. “Toda a base vem do questionário construído junto ao Alma Preta e das respostas coletadas diretamente com pessoas negras no Brasil. A tecnologia organiza esses relatos e cria uma representação fiel do que o grupo compartilhou”, afirma Victorino, ressaltando que “não inventamos nada que não tenha sido dito no campo da pesquisa.”
Transformando dados em diálogo
A IA no “Sentindo na Pele” atua como uma ponte de acesso à realidade do racismo. Segundo Gui Ghilardi, sócio e CCO da Galaxies, o valor está em tirar o estudo do papel: “Em vez de deixar o estudo parado em um PDF, a tecnologia cria um espaço de diálogo que informa e sensibiliza.”
Essa capacidade de tornar o dado vivo e conversável ajuda organizações e sociedade civil a tomar decisões com menos ruído e mais responsabilidade. “A IA apenas amplia o alcance. Aumenta a capacidade de consulta, oferece profundidade e transforma a pesquisa em algo vivo, fácil de entender e pronto para ser usado no dia a dia”, explica Ghilardi.
Serviço
O questionário do “Sentindo na Pele” está disponível e pode ser acessado aqui.