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Bolsonaro será julgado por racismo; ex-presidente se referiu a cabelo crespo como ‘criatório de baratas’

Após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, ex-presidente é réu por proferir ofensas racistas em 2021
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília (DF), no dia 14 de setembro de 2025.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília (DF), no dia 14 de setembro de 2025.

— Sergio Lima/AFP

16 de setembro de 2025

Dias após ser condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro será julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), nesta terça-feira (16), por declarações racistas proferidas quando ainda chefiava o Executivo, em 2021. 

A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU), e denuncia declarações públicas de preconceito, discriminação e intolerância contra a população negra. 

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O caso ocorreu nos dias 4 e 6 de maio e em 8 de julho, durante uma live na conta de Bolsonaro em rede social. Em uma das falas, o ex-presidente comparou o cabelo crespo de uma pessoa negra, que estava presente na live, com um “criatório de baratas” e sugeriu que havia piolhos.

No processo, o MPF e a DPU destacam que as falas de Bolsonaro extrapolam os limites da ofensa individual e específica à pessoa referida em sua fala, uma vez que o discurso configura “verdadeira ofensa estigmatizante de discriminação e intolerância a qualquer pessoa negra”. 

A petição também ressalta que o uso do penteado black power é amplamente reconhecido como símbolo de resistência do movimento negro. 

O Movimento Negro Unificado (MNU) acompanha a ação como amigo da corte (amicus curiae), para dar informações técnicas ou esclarecimentos sobre o tema.

Os órgãos solicitam o pagamento de R$ 5 milhões em indenização por danos morais coletivos, além de outros R$ 10 milhões para a União. Caso Bolsonaro seja condenado, os valores serão destinados a algum fundo público a ser definido pela Justiça.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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