Um relatório produzido e divulgado em 2 de março pelo portal Repórter Brasil revela que, com 9.729 casos, 2025 foi o pior em intoxicações por agrotóxicos nos últimos 11 anos.
A pesquisa utilizou dados do Ministério da Saúde, compilados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Diariamente, foram cerca de 27 pessoas contaminadas ao longo do último ano, um crescimento de 84% em comparação com 2015.
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De acordo com o relatório, entre 2015 e 2025, mais de 17 mil vítimas eram crianças de um a quatro anos, segunda faixa etária com mais registros, somando um quarto dos registros.
Com 23.045 notificações, as pessoas de 20 a 39 anos compuseram a faixa mais afetada, um terço do total. No grupo, mais da metade (54%) das ocorrências do último ano teve relação com o trabalho, dos quais 80% estavam relacionados a agrotóxicos de uso agrícola.
O estado do Espírito Santo se destacou como a unidade federativa com o maior número de intoxicações em números absolutos e proporcionais, com o equivalente a um em cada dez casos do país (941) e uma taxa de 23 casos por 100 mil habitantes. Tocantins, Rondônia e Acre aparecem em seguida na listagem.
Desde o início do intervalo analisado, foram registradas 73.391 intoxicações, com um decréscimo em 2020 e o retorno do crescimento no ano seguinte. Os episódios considerados pela pesquisa excluem suicídios, abortos, homicídios e outros episódios em que a contaminação foi deliberada, considerando apenas os casos não intencionais.
O levantamento ressalta que, no mesmo período, o país bateu recordes na aprovação e comercialização de pesticidas, que, segundo dados do Ministério da Agricultura, aumentaram 38% em relação ao ano anterior. Para especialistas, o aumento na oferta e no consumo dessas substâncias tem relação direta com o crescimento das intoxicações.