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BYD entra na ‘lista suja’ do trabalho escravo; 224 trabalhadores foram resgatados há menos de 2 anos

Inclusão ocorre após processo administrativo que apontou vínculo da montadora com operários submetidos a jornadas e condições irregulares em Camaçari
Operários mobilizam greve em frente a fábrica da BYD, unidade de Camaçari, na Bahia.

Operários mobilizam greve em frente a fábrica da BYD, unidade de Camaçari, na Bahia.

— Reprodução/Isabella Tanajura/Jornal A Verdade

7 de abril de 2026

A montadora chinesa BYD foi incluída na lista suja do trabalho análogo à escravidão, divulgada nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

A inclusão ocorre após a responsabilização da empresa por submeter trabalhadores chineses a condições consideradas análogas à escravidão durante as obras de construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia.

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Uma força-tarefa de fiscalização resgatou inicialmente 163 trabalhadores em dezembro de 2024. Com o avanço das apurações administrativas, esse número chegou a 224. 

Os auditores-fiscais não acataram a alegação da montadora de que os empregados pertenciam exclusivamente a uma empresa terceirizada. O vínculo direto da BYD com os trabalhadores foi apontado pelos órgãos de fiscalização.

A fiscalização identificou jornadas exaustivas, com contratos que previam até dez horas diárias de trabalho, seis dias por semana, além de possibilidade de extensão do expediente, superando o limite legal de 44 horas semanais. 

Também foram constatadas condições degradantes nos alojamentos, como superlotação, falta de colchões, ausência de armários e restrição de instalações sanitárias (em um dos alojamentos, havia apenas um vaso sanitário para 31 pessoas).

Os trabalhadores chineses também afirmaram terem sido trazidos de forma irregular ao Brasil “sem o devido registro e em desacordo com a legislação vigente”. 

A empresa os apresentou às autoridades brasileiras como mão de obra técnica quando, na verdade, exerciam funções de operários da construção civil. O Ministério Público do Trabalho (MPT) aponta indícios de fraudes nos documentos apresentados pela montadora às autoridades de migração.

Leia mais: Operários terceirizados de obra da BYD na Bahia fazem greve por condições de trabalho

Histórico de denúncias

Em dezembro de 2025, a Alma Preta publicou uma reportagem sobre a greve dos operários terceirizados que atuavam na construção da fábrica. 

Os trabalhadores reivindicavam melhores condições de trabalho, como pagamento de 30% por insalubridade, aumento do auxílio-alimentação e transporte, instalação de bebedouros, vestiários e banheiros, além da regularização do pagamento de salários e atualização do piso salarial.

Segundo o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e região, houve demissões por justa causa no sétimo dia de greve. 

Entre os desligados estariam integrantes da entidade e candidatos à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). 

A Polícia Militar da Bahia reprimiu uma manifestação dos funcionários na entrada da unidade no oitavo dia da paralisação, com uso de bombas de gás lacrimogêneo.


Leia mais:Lista suja tem aumento de 20% nos empregadores condenados por condições análogas à escravidão

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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