A montadora chinesa BYD foi incluída na lista suja do trabalho análogo à escravidão, divulgada nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A inclusão ocorre após a responsabilização da empresa por submeter trabalhadores chineses a condições consideradas análogas à escravidão durante as obras de construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia.
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Uma força-tarefa de fiscalização resgatou inicialmente 163 trabalhadores em dezembro de 2024. Com o avanço das apurações administrativas, esse número chegou a 224.
Os auditores-fiscais não acataram a alegação da montadora de que os empregados pertenciam exclusivamente a uma empresa terceirizada. O vínculo direto da BYD com os trabalhadores foi apontado pelos órgãos de fiscalização.
A fiscalização identificou jornadas exaustivas, com contratos que previam até dez horas diárias de trabalho, seis dias por semana, além de possibilidade de extensão do expediente, superando o limite legal de 44 horas semanais.
Também foram constatadas condições degradantes nos alojamentos, como superlotação, falta de colchões, ausência de armários e restrição de instalações sanitárias (em um dos alojamentos, havia apenas um vaso sanitário para 31 pessoas).
Os trabalhadores chineses também afirmaram terem sido trazidos de forma irregular ao Brasil “sem o devido registro e em desacordo com a legislação vigente”.
A empresa os apresentou às autoridades brasileiras como mão de obra técnica quando, na verdade, exerciam funções de operários da construção civil. O Ministério Público do Trabalho (MPT) aponta indícios de fraudes nos documentos apresentados pela montadora às autoridades de migração.
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Histórico de denúncias
Em dezembro de 2025, a Alma Preta publicou uma reportagem sobre a greve dos operários terceirizados que atuavam na construção da fábrica.
Os trabalhadores reivindicavam melhores condições de trabalho, como pagamento de 30% por insalubridade, aumento do auxílio-alimentação e transporte, instalação de bebedouros, vestiários e banheiros, além da regularização do pagamento de salários e atualização do piso salarial.
Segundo o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e região, houve demissões por justa causa no sétimo dia de greve.
Entre os desligados estariam integrantes da entidade e candidatos à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).
A Polícia Militar da Bahia reprimiu uma manifestação dos funcionários na entrada da unidade no oitavo dia da paralisação, com uso de bombas de gás lacrimogêneo.
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