PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Nova política do COI bane mulheres trans de competições femininas

Medida baseada em teste de gênero biológico passa a valer a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028
Os anéis olímpicos do lado de fora da sede do Comitê Olímpico Internacional (COI) em Lausanne, em 19 de março de 2024.

Os anéis olímpicos do lado de fora da sede do Comitê Olímpico Internacional (COI) em Lausanne, em 19 de março de 2024.

— Fabrice Coffrini/AFP

27 de março de 2026

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou, nesta quinta-feira (26), uma nova política de testes genéticos para definir a elegibilidade de atletas na categoria feminina. A medida impede a participação de mulheres trans e de parte das atletas intersexo em competições femininas a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Em comunicado, o COI informou que as atletas deverão realizar um teste único, ao longo da vida, para verificar a presença do gene SRY. O exame será utilizado como critério para acesso a qualquer categoria feminina, limitada a “mulheres biológicas”, conforme definição da entidade.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O anúncio foi realizado pela presidente Kirsty Coventry, que afirmou que a política “é baseada na ciência e foi liderada por especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, mesmo as menores diferenças podem significar a diferença entre a vitória e a derrota. Portanto, está absolutamente claro que não seria justo que homens biológicos competissem na categoria feminina”, disse.

A entidade comentou que a implementação dos testes ficará sob responsabilidade das federações internacionais e de outros órgãos dirigentes do esporte, como comitês olímpicos nacionais, federações nacionais e associações continentais.

Leia mais:  Lei que proíbe atletas trans em competições é questionada no STF

A medida não terá efeito retroativo e passará a valer apenas a partir da próxima edição dos Jogos Olímpicos, em Los Angeles. Segundo o COI, a regra será aplicada a todas as modalidades olímpicas, individuais e coletivas. 

A elegibilidade na categoria feminina será determinada pela ausência do gene SRY (do inglês Sex-determining Region Y), responsável por desencadear o desenvolvimento biológico masculino. Caso o resultado seja negativo, a atleta poderá competir e se positivo, não haverá possibilidade de novo teste.

De acordo com o comitê, exceções poderão ser aplicadas a atletas com diagnóstico de Síndrome de Insensibilidade aos Andrógenos (SIA) ou outras diferenças no desenvolvimento sexual (DDS), desde que não haja benefícios relacionados aos efeitos anabólicos da testosterona.

Avanço de políticas restritivas nos Estados Unidos

A decisão dialoga com medidas já adotadas para proibir mulheres trans de competir em categorias exclusivamente femininas. 

Em 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma norma que proibiu a participação de atletas trans em competições femininas organizadas por entidades ligadas ao movimento olímpico no país. 

A mudança ocorreu após o Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos revisar sua política interna de elegibilidade, no mesmo país que sediará os Jogos Olímpicos de 2028.

Nomeada de “Manter os homens fora dos esportes femininos”, a medida adota o critério biológico de nascimento como única referência para a participação em competições esportivas.

Leia mais: Comitê Olímpico dos Estados Unidos proíbe mulheres trans em torneios femininos

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano