Em um mundo com frequentes transformações no âmbito digital, o jornalismo multiplataforma se apresenta com uma roupagem diferente, com conteúdos transmídia, novas narrativas e soluções propositivas. Apesar disso, aspectos relevantes permanecem no campo, indagando o campo se devem ser mantidos ou não.
Parte dessa reflexão permeia a última mesa do Festival 3i 2025, realizada no Rio de Janeiro, na Escola Superior de Marketing e Propaganda (ESPM), entre os dias 6 e 8 de junho. Na oportunidade, estiveram presentes no debate Sameer Padania, Rosane Borges, Graciela Selaimen e a mediadora Natália Leal.
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Durante o encontro, a Alma Preta acompanhou os principais pontos do debate. Na abertura, a doutora Rosane Borges abriu respondendo se o jornalismo (como o conhecemos) acabou. “Ele não acabou, foi o modelo de negócio que colapsou. A partir do pressuposto que fazemos um jornalismo de interesse público, podemos pensar em como fazer a técnica do nosso trabalho”.
Já Graciela Selaimen, diretora executiva e fundadora do Instituto Toriba, comenta que estamos em um momento de entremeio, ou seja, caminhando para um novo cenário o qual ainda não conseguimos visualizar. Para ela, precisamos pensar em um jornalismo feito em comunidade, e não para incidir sobre a mesma.
Em outro momento da discussão, a democracia foi pauta central para se pensar a forma como o jornalismo é realizado. Ainda de acordo com Graciela, estamos esperando que a estrutura se reinvente, ao mesmo tempo que dificilmente a democracia voltará a ser o que era antes. “Não conseguimos enxergar que os milhões de movimentos pequenos que impactam o mundo, também são parte de uma ação massiva”.
Em seu ponto de vista, Rosane Borges comenta que a democracia ocidental liberal está entrando em colapso. De acordo com ela, as mulheres negras e indígenas já tinham alertado de tal colapso. “Não há vínculo com a gente, a não ser quando somos destinatários de política pública”, completa.
A partir de um ponto de vista mais otimista em relação aos desafios do jornalismo, Graciela afirma que para construir o novo, precisamos imaginar coletivamente. “Não é tempo de nos organizarmos sozinhas, precisamos de espaço para pensarmos com pessoas diferentes”, complementa.
A mesa em questão foi a última atividade do Festival 3i, que acontece anualmente na cidade do Rio de Janeiro. Para acompanhar mais detalhes do evento, acesse a página da realizadora Associação de Jornalismo Digital, ou, o próprio site do evento.