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Animação projeta Brasil de 2050 como um continente dividido em nações indígenas, negras e populares

Com direção de Letícia Simões e produção de Maurício Macêdo, “Glória & Liberdade” estreia no Olhar de Cinema — Festival Internacional de Curitiba
A personagem Azul, protagonista do filme de animação “Glória & Liberdade”.

A personagem Azul, protagonista do filme de animação “Glória & Liberdade”.

— Divulgação

7 de junho de 2025

O que teria acontecido se as revoltas separatistas do período regencial tivessem se concretizado? Quais seriam os rumos da história do Brasil? Como seria um território forjado por ideias de liberdade indígena, negra e popular? Essas perguntas movem “Glória & Liberdade”,  filme de animação que estreia no dia 14 de junho na mostra competitiva brasileira de longas-metragens do Olhar de Cinema — Festival Internacional de Curitiba, um dos principais eventos do circuito audiovisual do país.

Única animação e único filme cearense da disputa de longas, a obra tem direção da baiana radicada em Pernambuco Letícia Simões e produção do cearense Maurício Macêdo.

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O filme é a primeira animação na história da competitiva de longas do Olhar de Cinema. Com potência política e estética, a animação constroi uma poderosa fabulação histórica, imaginando um Brasil de 2050 reinventado pelas revoltas populares do século XIX: Cabanagem, Balaiada, Praieira e Sabinada.

Continente Pau-Brasil

O filme retrata um mundo em que o Brasil não existe mais. Os territórios que um dia formaram as regiões Norte e Nordeste se dissolveram após a partida de D. Pedro I, dando origem ao continente Pau-Brasil. A narrativa acompanha Azul (Larissa Goés), uma jovem documentarista da República da Bahia, que percorre quatro nações independentes. A personagem indaga: será que estão dispostos a reconstruir o Brasil? Seu objetivo é investigar as histórias de cada lugar e os motivos que tornaram impossível manter o antigo país unido. 

Em sua jornada, Azul visita Taua Sikusaua Kato, nação indígena com mais de 130 etnias, do território da Amazônia; República de Caxias, zona das antigas províncias do Ceará, Maranhão e Piauí; o Reino Unido de Pernambuco, nação formada a partir da província Pernambuco; e, por fim, a República da Bahia, onde vive e onde a história se fecha. 

Assim, o filme se estrutura como uma viagem em quatro capítulos, cada um com estética própria, construído de acordo com as linguagens, memórias e culturas desses territórios imaginados. A proposta conta uma história múltipla e sensível às singularidades que compõem as quatro nações.

Ao longo dessa travessia, Azul encontra pajés, hackers, líderes populares e historiadores, que a ajudam a costurar memórias e tensões de um passado fragmentado. No entanto, a revolução mais profunda acontece mais próxima do que ela imagina. Uma nova insurreição ameaça estourar dentro de sua própria casa e a protagonista precisa avaliar, a partir dessa trajetória, o que aprendeu sobre revolução e liberdade.

O filme é uma coprodução entre Ceará e Pernambuco, com realização da Moçambique Audiovisual (CE), de Maurício Macêdo, em parceria com a Poema Tropical (PE), de Letícia Simões. A Zonzo Studio, produtora cearense de animação, foi responsável pela equipe de animação do longa. A produção conta com incentivo da Agência Nacional do Cinema (Ancine), do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Ingressos para a estreia estão disponíveis no site do Olhar de Cinema — Festival Internacional de Curitiba.

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