O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denunciou, nesta terça-feira (26), uma abordagem policial truculenta do pelotão de choque da Brigada Militar do Rio Grande do Sul contra indígenas na cidade de Canela (RS).
A ação ocorreu na segunda-feira (26) e feriu famílias da etnia kaingang de Farroupilha (RS), que realizavam a venda de artesanatos ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, ponto turístico do município.
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Um vídeo registrado por testemunhas mostra um grupo com cerca de quatro agentes imobilizando o indígena Silvério Ribeiro, enquanto desferia socos e joelhadas. Enquanto a vítima é agredida, um grupo de policiais realiza a escolta em volta dos PMs.
Em nota, o Cimi manifestou repúdio e defendeu que é evidente que houve preconceito, discriminação e racismo na abordagem policial. A entidade requer que o Ministério Público Federal (MPF) adote medidas urgentes para a apuração da ocorrência e a responsabilização civil e criminal dos envolvidos.
A organização recorda que, apesar de ser um local turístico, não há espaço no município para que as comunidades indígenas e periféricas participem da economia movimentada pelo turismo e destaca episódios em que os indígenas tiveram seus produtos e artesanatos retidos por fiscais da prefeitura.
“Turismo e racismo são a combinação cruel de uma sociedade desleal, excludente e violenta. Que tais práticas sejam duramente enfrentadas, combatidas e reprimidas. Elas não podem ser naturalizadas, tampouco padronizar comportamentos e relações entre pessoas e povos”, diz trecho do comunicado.