O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) abriu as inscrições do edital para o curso de extensão “A Palavra Encantada: A Língua Pankararu e a Reexistência no Território da Aldeia Cinta Vermelha Jundiba”, uma iniciativa desenvolvida por meio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), em parceria com a Escola Nacional de Saberes Nego Bispo.
O curso é destinado a indígenas, estudantes de licenciatura e professores, com interesse na educação indígena e na preservação das línguas e culturas ancestrais. Ao todo, são ofertadas 25 vagas, sendo 15 destinadas a indígenas maiores de 16 anos, com ou sem conhecimento prévio da língua Pankararu; cinco para professores atuantes em escolas públicas ou com interesse em educação indígena; e cinco para estudantes de licenciatura de qualquer área.
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As inscrições vão até 24 de dezembro de 2025 e devem ser realizadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível no site do IFNMG. No ato da inscrição, os candidatos deverão anexar documento de identificação e uma carta de motivação, conforme modelo disponível no edital, além de comprovantes específicos de vínculo ou matrícula, quando for o caso.
A seleção será realizada por uma comissão composta pelo mestre do saber, coordenação do projeto e colaboradores indígenas. O resultado preliminar do processo seletivo será divulgado no dia 7 de janeiro de 2026, e o resultado final, no dia 9 de janeiro.
O curso
Voltado à valorização dos saberes tradicionais e à defesa dos territórios indígenas, o curso propõe um percurso formativo singular, que coloca a revitalização da língua Pankararu no centro de um processo de reexistência política, étnica e afetiva da Aldeia Cinta Vermelha-Jundiba, localizada no Vale do Jequitinhonha.
O território, reconhecido historicamente como indígena, enfrenta atualmente ameaças como grandes empreendimentos de mineração, o que torna a formação uma ferramenta estratégica de enfrentamento ao apagamento histórico e ao epistemicídio.
A proposta se apresenta como uma jornada de reencontro, resistência e renascimento, baseada na cosmogonia Pankararu e nas palavras dos Encantados. A partir da língua originária, os participantes serão convidados a renomear rios, matas, lugares sagrados e narrativas ancestrais, redesenhando simbolicamente o território e fortalecendo os vínculos com a terra. O processo formativo culminará na elaboração de uma cartografia afetiva, entendida como instrumento cultural e político de defesa do território sagrado.
A formação articula dois territórios fundamentais: a Aldeia Mãe, em Brejo dos Padres (PE), berço cultural e espiritual do povo Pankararu, onde ocorrerá o reaprendizado da língua em seu contexto originário, e a Aldeia Cinta Vermelha-Jundiba (MG), espaço de luta e afirmação, onde o conhecimento será materializado na construção coletiva da cartografia afetiva.