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Defensoria Pública do Pará cobra plataformas de hospedagem por preços abusivos na COP30

Órgão emite recomendação para que sites de hospedagem suspendam anúncios com preços até três vezes acima da média
Prédio da sede da Defensoria Pública do Pará, em Belém.

Prédio da sede da Defensoria Pública do Pará, em Belém.

— Reprodução/DPPA

9 de agosto de 2025

A Defensoria Pública do Estado do Pará, por meio do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), emitiu uma recomendação oficial às plataformas de hospedagem para combater preços considerados abusivos durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro de 2025, em Belém.

A medida foi tomada em conjunto com o Ministério Público do Estado, a Procuradoria Geral do Estado e o Procon da Secretaria de Justiça do Pará. A iniciativa partiu de uma série de denúncias feitas por movimentos sociais e ouvidorias sobre a inviabilidade de participação da sociedade civil na conferência, diante do alto custo das diárias em hotéis, pousadas e residências.

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“O aumento de preços inviabiliza a participação de representantes da sociedade civil. A partir disso, instauramos o procedimento de tutela coletiva e estamos trabalhando na questão das responsabilidades”, afirmou em nota Cássio Bitar, defensor público e coordenador do Nudecon.

A recomendação se apoia em jurisprudência recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou os recursos extraordinários 1.037.396 e 1.057.258. As decisões afirmam que provedores de aplicativos e sites podem ser responsabilizados por conteúdos ou ofertas ilícitas, mesmo sem ordem judicial. A decisão fortalece a atuação dos órgãos de defesa do consumidor em casos como o da COP30.

Regras para limitar abusos

De acordo com a recomendação, as plataformas têm 10 dias para notificar anunciantes cujos valores ultrapassem três vezes a média de preços da alta temporada nos últimos 12 meses, ou a média de mercado para empreendimentos semelhantes. Após a notificação, os responsáveis pelas ofertas devem ajustar os preços em até 48 horas. Caso não o façam, a plataforma deverá suspender a publicação do anúncio.

A Defensoria também recomenda que os sites informem aos consumidores o valor médio de mercado para acomodações semelhantes e alertem quando houver aumento expressivo na tarifa para o mesmo imóvel, de forma a assegurar a liberdade de escolha do usuário.

Para Bitar, o objetivo da recomendação é estabelecer um diálogo com as empresas digitais e evitar judicialização. “Estamos provocando o diálogo com as grandes plataformas, visto que elas têm responsabilidade solidária. Faz parte da missão da Defensoria essa conciliação extrajudicial com o objetivo de solucionar com celeridade e eficácia as demandas”, disse.

O alto custo das hospedagens em Belém também gerou preocupações fora do Brasil. O Grupo Africano de Negociadores, que participa das rodadas de discussão da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, alertou que países em desenvolvimento podem ter sua participação comprometida devido aos preços inflacionados. Durante reunião do órgão climático da ONU, o presidente do grupo, Richard Myungi, solicitou ao governo brasileiro um relatório detalhado sobre a situação.

Outros 25 negociadores internacionais assinaram um documento sugerindo a alteração parcial ou total da sede da conferência, caso o problema não seja resolvido a tempo.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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