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Deputada aponta que massacre ‘não acaba com crime organizado’ e cobra explicações do MP

Comissão da Alerj denuncia violações de operação que deixou mais de 100 mortos
Imagem mostra carro utilizado como barricada durante operação policial no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Imagem mostra carro utilizado como barricada durante operação policial no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.

Imagem mostra carro utilizado como barricada durante operação policial no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.

— CDDHC/Divulgação

29 de outubro de 2025

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (CDDHC/Alerj) realizou nesta quarta-feira (29) um atendimento no Complexo do Alemão, em parceria com diversas instituições, para acompanhar os impactos do massacre que resultou em mais de 100 mortos.

A Comissão oficiou o Ministério Público do Estado, a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), responsável pelo comitê de monitoramento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que estabelece medidas para reduzir mortes durante ações policiais em comunidades.

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O ofício solicita informações urgentes sobre o planejamento da ação, as medidas adotadas para garantir a integridade física da população e a preservação dos direitos fundamentais, além dos fundamentos legais que motivaram a operação e as responsabilidades pela sua execução.

O documento também reforça atenção quanto ao uso da força, bem como a apuração de denúncias de moradores diante de invasões de domicílios, execuções sumárias, abusos de autoridade e violações de direitos humanos.

“Trata-se, portanto, de uma operação produzida e conduzida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, com acompanhamento do Ministério Público, circunstância que exige transparência, controle institucional e prestação de contas públicas, especialmente diante da gravidade dos fatos e de seus impactos sociais”, destaca trecho do ofício.

A Comissão também solicitou o número atualizado de mortos, feridos e presos, com a discriminação de perfis e circunstâncias de cada caso.

A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), presidenta da CDDHC, destacou os impactos do massacre na vida da população das comunidades afetadas.

“São inúmeros serviços de educação e saúde fechados, crianças sem aulas, morador e trabalhador sem conseguir se deslocar. Casas baleadas, pertences atingidos e uma rotina de sangue e violência que cerca as nossas favelas. Isso não acabará com o crime organizado”, afirmou em comunicado à imprensa. 

Segundo o documento, em decorrência das ações, 43 unidades de ensino municipais tiveram suas atividades suspensas, sendo 26 localizadas no Complexo do Alemão e 17 no Complexo da Penha, afetando diretamente o direito à educação de milhares de crianças e adolescentes das comunidades.

O sindicato Rio Ônibus informou que mais de 120 linhas de transporte coletivo tiveram seus itinerários desviados preventivamente em razão dos riscos à segurança de rodoviários e passageiros.

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  • Thayná Santana

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