PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

‘Política de morte’: organizações e movimentos negros cobram responsabilização do Estado por massacre no Rio

Entidades exigem justiça e fim das operações letais nas favelas; número de vítimas passa de 100
População protesta contra o governador Cláudio Castro no complexo da Penha no Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2025.

População protesta contra o governador Cláudio Castro no complexo da Penha no Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2025.

— CDDHC/Divulgação

29 de outubro de 2025

Organizações da sociedade civil e movimentos negros criticaram a operação deflagrada pelas polícias Civil e Militar nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na terça-feira (28). Com mais de 100 mortos, a ação é a mais letal da história do estado.

Em nota, a Justiça Global, entidade voltada à promoção dos direitos humanos, repudiou o que considerou uma chacina e denunciou a adoção de uma doutrina de guerra como política de Estado. A organização também alertou para o agravamento das violações de direitos.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

“Não há justificativa para que uma política estatal continue a ser conduzida a partir do derramamento de sangue. A segurança pública deve garantir direitos, não violá-los. As moradoras e os moradores das favelas têm direito à vida, à integridade física e à paz — e isso não é negociável”, diz o texto.

O Instituto Sou da Paz, organização que atua na defesa da redução da violência, também reforçou a necessidade de proteção da população e o respeito aos direitos fundamentais.

“É necessário que haja uma apuração rigorosa com a devida participação do Ministério Público e de outras entidades para identificar responsabilidades individuais e coletivas diante dos resultados desastrosos desta operação”, comentou.

O Instituto Papo Reto, por sua vez, afirmou que a violência é resultado de métodos falidos do Estado em combater o tráfico de drogas.

“A segurança pública deve ser uma política de preservação da vida, e não um instrumento de extermínio e barganha política. Seguiremos lutando por justiça, por memória e por um futuro em que viver na favela não signifique viver com medo”, declarou.

A entidade ainda exigiu a suspensão imediata das operações com alto potencial de letalidade, a garantia do direito ao socorro das pessoas feridas e a atuação urgente do Ministério Público e do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (Nudedh) na investigação e responsabilização por todas as violações de direitos cometidas. 

Movimentos negros exigem justiça

A Coalizão Negra por Direitos também se manifestou, denunciando o ocorrido e o classificando como um extermínio do povo negro em territórios majoritariamente negros e pobres.

“A lógica de ‘guerra ás drogas’ é, na verdade, uma guerra contra o povo negro, travada dentro das favelas e periferias sob o pretexto de segurança pública. Cada corpo negro tombado é resultado de uma política que decide, todos os dias quem pode viver e quem deve morrer”, destacou.

A organização exigiu a responsabilização dos agentes e autoridades envolvidos, além de investigação imediata e o fim das operações letais nas favelas.

O Geledés Instituto da Mulher Negra também expressou indignação, afirmando que a operação policial “expressa um terror racial que invisibiliza a própria ideia de democracia neste país” e “retira da população negra o direito à vida, à dignidade e à cidadania”.

“Essas mortes não são acidentes. Quando um governador legítíma quem mata, ele reafirma o pacto colonial e racial que funda a nossa nação: o de que a vida negra é descartável”.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano