Em um momento em que aproximadamente 100 barragens em todo o Brasil seguem em risco de rompimento, segundo estudo do Projeto EduMiTE, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o documentário “Rejeito”, dirigido por Pedro de Filippis e produzido pela Enquadramento Produções, chega aos cinemas de todo o país no dia 30 de outubro de 2025, às vésperas dos dez anos do desastre de Mariana, com distribuição da Descoloniza Filmes.
Além das salas de cinemas do país, a proposta é que o filme tenha um lançamento de impacto social, com exibições em universidades, escolas, equipamentos culturais e eventos e conferências sobre questões sociais e do meio ambiente, com foco especial em comunidades que continuam sob risco de barragens em Minas Gerais.
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Fruto de quatro anos de produção, ao se debruçar em situações nas comunidades assoladas por barragens, o filme constrói uma narrativa que joga luz sobre camadas históricas, com foco especial em Minas Gerais, estado marcado por sucessivos desastres e violações e que responde por aproximadamente 61% do minério de ferro bruto no Brasil, em torno de 320 milhões de toneladas.
O documentário acompanha personagens reais impactados diretamente pelo rompimento de barragens e mineração e pesquisadores, como a ambientalista Maria Tereza Corujo (Teca), registrando momentos emblemáticos, como a reocupação da comunidade de Socorro, removida após o rompimento de Brumadinho.
“Ao longo do processo, entendi que o tema central do filme é sobre território, sobre relação com o rio, com a terra, e não uma simples espetacularização dos desastres ambientais”, afirma o diretor, que há mais de uma década documenta os conflitos provocados pela mineração na América Latina.
“O filme vai além da denúncia sobre Mariana e Brumadinho. Ele mostra que esse modelo de exploração continua ativo nos dias atuais, removendo pessoas, apagando histórias e destruindo modos de vida”, explica o diretor. “O filme não se interessa pelo que está cercado pelas fitas de isolamento. Ele não busca imagens apelativas da destruição e corpos na lama. Observamos os bastidores e além, em busca do que está sendo rejeitado”, acrescenta Pedro.
Ao longo de sua trajetória em mostras e festivais, “Rejeito” foi amplamente reconhecido, recebendo diversos prêmios internacionais. Entre os destaques estão os prêmios de Melhor Filme no FICMEC (Espanha), CineEco (Portugal), Festival Sarancine e Mostra Ecofalante; além da Menção Especial do Júri no Indie Memphis (EUA) e o Prêmio da Juventude no CineEco.
O realizador Pedro de Filippis também foi reconhecido com o prêmio de Melhor Direção no Festival Internacional de Cinema Ambiental. O filme ainda conquistou o Prêmio do Júri Escolar no One World Romania (Romênia), consolidando sua força como obra crítica, sensível e urgente sobre os impactos socioambientais da mineração.