PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Escolas do Rio Grande do Sul devem criar medidas para combater racismo religioso

Defensoria Pública da União solicitou a criação de práticas pedagógicas com conteúdos sobre história e cultura das religiões de matriz africana
Uma professora e alunos em uma sala de aula.

Uma professora e alunos em uma sala de aula.

— Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil

26 de novembro de 2025

A Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPERS) enviaram uma nota técnica ao governo do estado recomendando medidas para o combate ao racismo religioso nas escolas. O documento foi divulgado pelos órgãos na terça-feira (25). 

Segundo a DPU, a nota tem o objetivo de orientar a atuação das instituições de ensino e gestores públicos para lidar com o racismo religioso no ambiente escolar com base em legislações nacionais e tratados internacionais.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

“O racismo religioso nas escolas é uma das piores faces desse fenômeno. Isso porque a escola deveria ser a extensão da pluralidade e dos valores de uma sociedade democrática. Por ser uma extensão do racismo, esse fenômeno decorre da colonialidade do poder, que se expressa de forma sistemática a partir da discriminação e do preconceito, que tem na raça”, diz trecho do documento

As defensorias destacam a alta presença de praticantes de religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o território gaúcho possui mais de 157 mil pessoas que integram os povos de terreiros.

A nota orienta ainda que o governo estadual realize a formação continuada e a sensibilização dos professores, práticas pedagógicas e currículos relacionados à história e cultura das religiões de matriz africana. 

Os órgãos também sugerem o estímulo ao letramento racial e religioso nas formações pedagógicas, a implementação de protocolos institucionais com equipe multidisciplinar para acolhimento e o respeito aos preceitos religiosos na alimentação escolar. 

Entre as demais recomendações, o documento solicita a garantia de um ambiente escolar seguro e acolhedor, em especial às crianças e adolescentes que estejam no período pós-iniciático nas religiões de matriz africana. 

Em comunicado à imprensa, a defensora pública federal Natalia Von Rondow explicou que a elaboração da nota foi motivada por casos de racismo religioso identificados nas unidades escolares. 

“Os terreiros, práticas, crenças e modos de vida das comunidades tradicionais de matriz africana são um direito das crianças e dos adolescentes adeptos dessas religiões, e esse direito precisa ser respeitado e defendido pela escola e pelo Estado”, destacou. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano