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Expedição percorre comunidades tradicionais do Pará com turismo de base comunitária

Projeto une preservação ambiental, geração de renda para mulheres negras, ribeirinhas e periféricas e troca cultural horizontalizada
Mulheres participam da Vivência "Dançar Carimbó", que integra o projeto Quase Nativa.

Mulheres participam da Vivência "Dançar Carimbó", que integra o projeto Quase Nativa.

— Divulgação

10 de maio de 2026

O projeto Quase Nativa – Expedição Amazônia Paraense é uma iniciativa de turismo de base comunitária e de experiência que articula uma rede de comunidades locais majoritariamente lideradas por mulheres nas ilhas, quilombos e praias da Amazônia paraense.

Com presença em Soure, Pesqueiro, Quilombo de Mangueiras, Cotijuba e Algodoal, o projeto une preservação ambiental, geração de renda para mulheres negras, ribeirinhas e periféricas e troca cultural horizontalizada.

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A proposta é de um turismo como ferramenta de preservação em vez de exploração. A iniciativa enxerga na articulação comunitária uma estratégia concreta para um turismo mais consciente: quem chega se hospeda na casa de moradores do próprio território, aprende com quem sabe e respeita o que encontra.

Há quatro anos, o projeto percorre os caminhos não convencionais dos rios da Amazônia paraense, resistindo à lógica do turismo massivo e construindo um trajeto comunitário. Ao longo desse tempo, foram se articulando em rede com comunidades locais, apostando na cooperação e no turismo regenerativo, não extrativista: uma prática que devolve ao território mais do que retira, que fortalece modos de vida em vez de consumi-los.

A primeira expedição já tem data e roteiro confirmados. De 9 a 14 de novembro, o grupo percorrerá a Ilha do Marajó, com passagens por Belém e a Ilha de Cotijuba. Serão seis dias vivenciando um pedaço da Amazônia paraense com quem é de lá e compartilha sua cultura.

A programação inclui, entre muitas experiências locais, o carimbó, tacacá, banho de cheiro, plantio de mudas, troca de saberes e rodas de conversa ao redor da fogueira. As vagas são limitadas.

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Mulheres amazônicas anfitriãs de vivências 

A força motriz do projeto são as mulheres que habitam e guardam esses territórios. Elas são anfitriãs, instrutoras, lideranças e protagonistas econômicas. Para Júlia Leão Monteiro, viajante, mulher preta e uma das idealizadoras do projeto, explica a origem e o propósito da expedição:

Fabrícia Marques, instrutora de carimbó e lundu marajoara e anfitriã da rede em Soure, fala sobre o impacto concreto do projeto em sua vida.

“Me dando oportunidade de trabalho, de renda e de poder mostrar para as pessoas que venham conhecer os lugares, a cultura e vivências que só o Marajó tem. Assim posso ajudar minha mãe e ter condições de comprar minhas coisas, sem ficar dependente de alguém.”

Noemi Barbosa, liderança do movimento quilombola da Comunidade Quilombola de Mangueiras, município de Salvaterra, no Marajó, resume o princípio fundamental da rede:

“O mais importante é que as pessoas que venham visitar o nosso território respeitem a nossa história, nossas lendas, nossos contos. A gente conta o que nossos antepassados contaram, e é através dessa oralidade que vai passando de geração em geração. Muitas vezes quem vem não acredita em lendas. Mas quem não acredita, que não critique. O respeito é o que não pode faltar: respeito à nossa cultura, à nossa vida, ao nosso modo de vida.”

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Parceria e potencialização

O projeto é potencializado por meio de uma parceria com o SER, por meio da Chamada Pública Aipê — Aliança pela Inclusão Produtiva. A iniciativa conta com o apoio de parceiros fundadores: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Instituto Humanize, Instituto HEINEKEN, Instituto Votorantim e Santander.

Os apoios institucionais são essenciais para garantir a viabilidade do projeto. Além de viabilizar a realização das expedições, os parceiros oferecem às anfitriãs e equipes formações em turismo e inglês, ampliando as possibilidades de atuação profissional das mulheres da rede.

Sob solicitação das próprias comunidades, também é possível a aquisição de coletes salva-vidas, reforçando a segurança nos passeios de canoa pelos rios e igarapés da região.

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