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Mulheres do MST ocupam áreas da Samarco em protesto por crimes ambientais da Vale

Articulação interestadual mobiliza 700 famílias em Minas Gerais para existir justiça e reparação pelo maior crime ambiental da história do país
Ocupação das mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, em Tumiritinga (MG).

Ocupação das mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), nos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, em Tumiritinga (MG).

— Reprodução/Matheus Teixeira/MST

9 de março de 2026

Ao menos mil famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do sudeste, principalmente mulheres, ocuparam áreas da empresa Samarco nos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, em protesto contra os crimes ambientais cometidos pela mineradora na cidade de Mariana (MG).

O rompimento da Barragem de Fundão, ocorrida em 2015, resultou em 19 mortes e na devastação de comunidades inteiras, com a liberação de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de metais ao longo do Rio Doce, em um percurso de 650 quilômetros até o Oceano Atlântico, em território capixaba. Uma década após o crime, nenhuma das empresas responsáveis, Vale e BHP Billiton, foram condenadas no Brasil. O ocorrido é reconhecido como o maior desastre ambiental do país. 

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A articulação das mulheres sem terra visa denunciar o descaso e a impunidade, além de cobrar da justiça brasileira o julgamento e a condenação da Samarco. Para o MST, a condenação não deve apenas reparar os danos e garantir os direitos da população atingida, mas também desenvolver ações de restauração ambiental e agroecológica da bacia do Rio Doce.

A ocupação no Espírito Santo contou com a participação de 300 famílias no município de Anchieta, com a participação do MST do Rio de Janeiro. Em Minas, 700 pessoas realizaram o trancamento dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, em Tumiritinga.

Segundo o movimento, ainda existem cerca de 45 barragens em situação de risco, 26 em situação de alerta e emergência, das quais duas apresentam risco de rompimento iminente. 

“Os riscos não são apenas numéricos, mas estratégicos, pois as barragens estão situadas sobre bacias hidrográficas que abastecem milhões de pessoas, com destaque crítico para o Quadrilátero Ferrífero-Aquífero (QFA), região central do estado”, diz o comunicado da entidade.

A mobilização exige que a empresa pague pelo crime e seja sentenciada a realizar a restauração florestal nos 52 assentamentos atingidos, a pagar indenização individual a 2 mil trabalhadores rurais vítimas do rompimento que ainda não foram ressarcidos e a fornecer água potável às famílias.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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