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Samarco deve pagar mais R$ 217,6 milhões a vítimas de rompimento de barragem

Correção beneficia 6.928 titulares de comunidades tradicionais após MPF apontar erro em cálculos de auxílio financeiro e de subsistência
Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais.

Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais.

— Antonio Cruz/ Agência Brasil

4 de maio de 2026

A mineradora Samarco se comprometeu a pagar R$ 217,6 milhões adicionais de indenização a povos e comunidades tradicionais atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. A medida corrige valores de auxílios financeiros pagos a menos. O compromisso ocorreu após parecer técnico do Ministério Público Federal (MPF).

O Grupo de Trabalho Rio Doce do MPF questionou os cálculos da empresa após denúncias de comunidades de garimpeiros. O procurador da República Eduardo Henrique de Almeida Aguiar solicitou análise do Centro Nacional de Perícia (CNP) da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea) do MPF. A perícia confirmou incorreções nos cálculos do Auxílio Financeiro Emergencial (AFE) e do Auxílio de Subsistência Emergencial (ASE).

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Em 17 de abril de 2026, a Samarco enviou documento ao MPF. A empresa se comprometeu a adotar a metodologia indicada no parecer técnico para o cálculo retroativo do AFE e do ASE. A correção alcança todos os núcleos familiares elegíveis.

A perícia do MPF determinou que o cálculo correto considere um salário-mínimo mensal, acrescido de 20% para cada dependente. Os valores devem ser atualizados pela inflação (IPCA) até a data do reconhecimento oficial da comunidade. A partir desse marco, a correção ocorre pela taxa Selic até o dia do pagamento efetivo.

Leia mais: Justiça britânica rejeita recurso e mantém responsabilidade da BHP por rompimento de barragem em Mariana

Beneficiários da correção

A correção alcança 6.928 titulares e 5.986 dependentes. Entre os grupos que receberão os valores ajustados estão os garimpeiros, R$ 37,2 milhões; e os faiscadores, R$ 40,7 milhões; Sapê do Norte, R$ 135,4 milhões; além das comunidades de Santa Efigênia, Povoação e o povo Puri, que também terão seus valores complementados.

O montante de R$ 217,6 milhões se refere exclusivamente à diferença entre o valor pago e o valor devido segundo os critérios da perícia. Este ajuste será quitado junto com a terceira parcela do auxílio retroativo.

Com o pagamento da terceira parcela do auxílio retroativo, estimada em cerca de R$ 448 milhões, somada ao valor adicional, o total destinado às comunidades atingidas chega a aproximadamente R$ 1,4 bilhão nos dois auxílios.

O MPF informou que seguirá monitorando o cronograma de pagamentos e a execução do Novo Acordo do Rio Doce. O objetivo é garantir que os valores sejam repassados conforme os critérios estabelecidos e que as comunidades recebam integralmente os recursos.


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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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