O número de feminicídios registrados no estado de São Paulo em 2025 aumentou 96,4% em relação a 2021. No ano passado, 270 mulheres foram mortas no estado, ante 136 vítimas contabilizadas quatro anos antes.
As informações constam no levantamento “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo analisa a evolução, os padrões e as desigualdades territoriais da violência letal de gênero no país.
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Os dados têm como base a quantidade de boletins de ocorrência produzidos pelas Polícias Civis de todo o país.
Na região Sudeste, São Paulo apresenta o maior número absoluto de casos, concentrando sozinho 17,2% do total de feminicídios registrados no Brasil em 2025. Considerando o total de vítimas da região, 41% das mortes ocorreram em território paulista.
No mesmo período, o Brasil registrou alta de 14,5% nos casos de feminicídio. Somente em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas no país. Além de São Paulo, os maiores crescimentos proporcionais foram observados no Amapá, com aumento de 120,3%, e em Rondônia, com 53,8%.
Na região Sul, o estado com maior concentração de mortes foi o Rio Grande do Sul, responsável por 38,8% dos registros. No Centro-Oeste, 33,9% das ocorrências foram contabilizadas em Goiás. No Nordeste, a Bahia concentrou 25,8% dos casos. Já na região Norte, o Pará respondeu por 41,5% dos registros.
Em relação às taxas por grupo de 100 mil mulheres, o Acre apresentou o índice mais elevado, com 3,2 feminicídios, seguido por Rondônia, com 2,9, e Mato Grosso do Sul, com 2,7 vítimas.
De acordo com o relatório, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul permaneceram, ao longo de todos os anos analisados, entre os cinco estados com as maiores taxas. Já Amapá, São Paulo e Rondônia lideraram o percentual de crescimento no período.
O estudo aponta ainda que o avanço da letalidade revela obstáculos na interrupção de ciclos de violência já identificados pelas instituições e expõe fragilidades nas ações de prevenção, proteção e resposta do Estado antes que os casos resultem em morte.
O relatório também destaca que, em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Considerada um marco na política de enfrentamento à violência contra a mulher, a norma representa um avanço institucional. No entanto, o estudo aponta que o principal desafio permanece na capacidade de implementar as leis de forma efetiva.