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Financiamento climático no Brasil é insuficiente e aprofunda desigualdades, aponta estudo

Relatório “Encruzilhada Climática” revela que apenas 0,34% do orçamento federal foi para Gestão Ambiental em 2023, enquanto setores poluentes receberam volumes significativamente maiores
Visão geral de um deslizamento de terra na comunidade de Bola de Ouro, cidade de Jaboatão dos Guararapes, estado de Pernambuco, Brasil, em 1 de junho de 2022.

Visão geral de um deslizamento de terra na comunidade de Bola de Ouro, cidade de Jaboatão dos Guararapes, estado de Pernambuco, Brasil, em 1 de junho de 2022.

— Sergio Maranhão/AFP

13 de outubro de 2025

A Oxfam Brasil lançou nesta segunda-feira (13) o relatório “Encruzilhada Climática – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras”, que evidencia as graves lacunas no financiamento da agenda climática no país e como essas falhas aprofundam as desigualdades raciais, de gênero e territoriais. O documento analisa diversos indicadores sociais e econômicos, políticas nacionais e o orçamento federal entre 2023 e 2025.

A conclusão é de que a falta de investimentos em adaptação, com um olhar antirracista, gestão ambiental e políticas públicas básicas, coloca em risco principalmente as populações historicamente mais vulneráveis.

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De acordo com o documento, em 2023 a função Gestão Ambiental recebeu apenas 0,34% do total de recursos empenhados no orçamento da União. Na prática, isso significa que, a cada R$ 300 do orçamento federal, menos de R$ 1 foi destinado diretamente à proteção do meio ambiente. Enquanto isso, setores com alto impacto sobre as emissões de carbono, como Agricultura (R$ 90,25 bilhões) e Transporte (R$ 43,91 bilhões), receberam volumes significativamente maiores.

A disparidade fica ainda mais clara ao comparar o Fundo Clima, que recebeu R$ 10,4 bilhões, com o Plano Safra 2024/2025, que contou com R$ 400 bilhões. “Essa escolha orçamentária revela uma prioridade perversa: privilegia setores que intensificam a crise climática em detrimento da proteção das pessoas e territórios em maior vulnerabilidade”, afirma Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

Desigualdades ampliam vulnerabilidade climática

O relatório demonstra que os impactos da crise climática não são iguais para todos, e que as populações mais afetadas são as que já enfrentam historicamente as piores condições de vida. As mulheres negras estão na base da pirâmide social e econômica: recebem em média R$ 1.281, menos da metade do rendimento dos homens brancos (R$ 2.598).

As regiões Norte e Nordeste concentram os piores indicadores de renda e os maiores percentuais de população preta, parda, indígena e quilombola, justamente as que mais sofrem com secas, enchentes e outros eventos extremos.

Além disso, favelas e periferias, onde 73% da população é negra, estão localizadas em áreas de risco, sem infraestrutura adequada para enfrentar chuvas intensas ou ondas de calor.

“Estamos diante de um racismo ambiental evidente. A crise climática escancara e aprofunda injustiças históricas. Não haverá transição justa sem enfrentar o racismo, a desigualdade de gênero e a concentração de terras”, destaca Viviana.

Lacunas das políticas públicas perpetuam injustiça

O estudo da Oxfam Brasil aponta que a abordagem do Estado brasileiro ainda é predominantemente reativa, com a liberação de créditos extraordinários para desastres – como os R$ 111,6 bilhões destinados às enchentes do Rio Grande do Sul em 2024 –, em vez de investimentos preventivos.

Além disso, apenas 12% dos R$ 185 bilhões previstos no Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 para ações climáticas são destinados à adaptação, área essencial para proteger comunidades em situação de vulnerabilidade.

Diante desse cenário, a organização defende a incorporação de recortes de raça, gênero e território em todas as políticas climáticas, a garantia da participação vinculante de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais nas decisões, o direcionamento de recursos para adaptação nos territórios mais vulneráveis e o condicionamento de crédito rural à adoção de práticas sustentáveis e à redução de emissões.

Confira aqui o relatório completo “Encruzilhada Climática – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras”.

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