A Prefeitura de Fortaleza lançou, na segunda-feira (23), um conjunto de medidas voltadas ao enfrentamento do racismo nas escolas da rede municipal. Entre as iniciativas estão a criação de um protocolo para lidar com casos de racismo, a publicação de edital para Agentes da Igualdade Racial e a oferta de formação em Educação para as Relações Étnico-Raciais.
O protocolo de enfrentamento ao racismo estabelece diretrizes para a identificação e o encaminhamento de casos nas escolas. A proposta prevê acompanhamento de estudantes, professores e famílias, com o objetivo de evitar a naturalização de situações de discriminação no ambiente escolar.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Segundo o secretário da Educação de Fortaleza, Idilvan Alencar, a orientação do governo municipal foi estruturar ações com aplicação direta nas unidades de ensino.
“O prefeito Evandro pediu que a gente fosse concreto no enfrentamento ao racismo. Hoje, Fortaleza lança um protocolo nas escolas para que casos de racismo não sejam normalizados, com acompanhamento de alunos, professores e famílias. Além disso, vamos conceder bolsas a estudantes, formar professores e ampliar o acervo com conteúdos antirracistas. É um conjunto de ações para fortalecer essa pauta na educação”, afirmou em nota.
O lançamento ocorreu durante evento realizado na AABB Fortaleza, com participação de gestores, professores e estudantes. Durante o evento, a prefeitura entregou o Selo Escola Antirracista 2025 para unidades da rede municipal. Três escolas de cada Distrito de Educação foram selecionadas. Os valores das premiações foram definidos em R$ 20 mil para o primeiro lugar, R$ 10 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro.
Estudantes terão bolsas como agentes de igualdade
O edital dos Agentes da Igualdade Racial é voltado a estudantes do 9º ano do ensino fundamental. A iniciativa prevê a concessão de bolsas para atuação em atividades relacionadas à promoção da igualdade racial no ambiente escolar.
A proposta busca envolver estudantes em ações educativas e ampliar a discussão sobre relações étnico-raciais dentro das escolas.
O conjunto de medidas inclui a oferta de formação complementar para professores por meio da Academia do Professor. O conteúdo aborda Educação para as Relações Étnico-Raciais, com foco na incorporação do tema em diferentes áreas do ensino.
A professora Carina Souza, da Escola Municipal Colônia Z8, destacou a presença do tema em disciplinas diversas.
“A prática antirracista pode estar em qualquer disciplina, inclusive na matemática, quando mostramos suas origens ligadas ao continente africano e aos povos tradicionais. Isso fortalece a identidade das crianças negras, valoriza suas histórias e ensina que o conhecimento é diverso e deve acolher a todos”, disse.