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Indígenas contestam licença para mineração da Belo Sun no Xingu

Comunidades Indígenas do Médio Xingu, no Pará, denunciam que barragem da Belo Sun prevê volume de rejeitos três vezes maior que o de Brumadinho
Indígenas em protesto pela defesa da Amazônia, no Acampamento Terra Livre, em Brasília (DF), no dia 10 de abril de 2025.

Indígenas em protesto pela defesa da Amazônia, no Acampamento Terra Livre, em Brasília (DF), no dia 10 de abril de 2025.

— Reprodução/Joédson Alves/Agência Brasil

12 de maio de 2026

As comunidades dos territórios indígenas do Médio Xingu, no Pará, pedem a suspensão da licença para instalação do empreendimento de mineração de ouro da empresa canadense Belo Sun, na região de Altamira. A informação foi divulgada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na segunda-feira (11).

Segundo nota da entidade, a proposta de exploração na área da Volta Grande do Xingu existe desde 2012 e teve a permissão concedida em decisão individual do desembargador Flávio Jardim, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em 14 de abril. 

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A licença de instalação foi originalmente concedida em 2017 e posteriormente suspensa pela Justiça. No entanto, ela foi restabelecida pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará por meio de nota técnica, após o parecer favorável do TRF1. 

Leia mais: Mineração avança em territórios indígenas e provoca ciclo de violações

O conselho informa que a licença de instalação ocorreu sem a apresentação de novos estudos ambientais e sem realização adequada da consulta prévia aos povos indígenas afetados, além de contrariar recomendações técnicas e questionamentos do Ministério Público Federal (MPF). 

O planejamento prevê a ocupação de uma área de 2 mil hectares de terras públicas, com a escavação de 620 milhões de toneladas de terra no município de Senador José Porfírio (PA) e expansão equivalente a milhares de campos de futebol. A organização destaca impactos em toda a região de Altamira e nos territórios indígenas do Médio Xingu. 

O empreendimento da Belo Sun, aponta o comunicado, atingirá diretamente pelo menos oito etnias indígenas, incluindo povos em isolamento voluntário. Cerca de 25 comunidades ribeirinhas e 500 famílias de assentados da reforma agrária também podem ser afetadas. 

De acordo com o conselho, o laudo técnico elaborado pelo geofísico Steven H. Emerman, da Universidade de Princeton, recomenda a rejeição do projeto pelas autoridades brasileiras com base na alta probabilidade de falha da barragem de rejeitos. 

Outro documento, elaborado pela Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA), indica falhas na metodologia de avaliação de impacto e na ausência de simulações de cenários de ruptura de barragem. 

O montante de rejeitos previsto é três vezes maior do que o de Brumadinho (MG), onde houve o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em 2019. Mais de 270 pessoas morreram no ocorrido. 

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“Em comparação com o crime ocorrido em Minas Gerais, os estudos independentes identificaram que uma inundação da barragem de Belo Sun chegaria ao rio Xingu em sete minutos, cobrindo a distância inicial de 41 km em apenas duas horas”, afirma o Cimi. 

As comunidades indígenas relatam que os processos de consulta foram realizados sem contemplar todos os povos possivelmente afetados pelo empreendimento. 

Em resposta, as mulheres líderes dos povos Juruna, Xikrin, Arara, Parakanã e Xipaya protestam há dois meses contra a liberação para a mineração da Belo Sun. As lideranças ocuparam, no dia 5 de março, a sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Altamira. A mobilização durou mais de 30 dias. 

O tema também foi uma das principais reivindicações do Acampamento Terra Livre (ATL), que reuniu representantes de grande parte dos 391 povos indígenas do Brasil, em Brasília (DF).

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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