Lideranças indígenas do povo Waimiri-Atroari denunciaram a possibilidade de intoxicação por resíduos de mineração no rio Alalaú, na cidade de Presidente Figueiredo (AM). A denúncia foi divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na segunda-feira (29).
Em nota, os moradores da região relatam sinais de contaminação, como mau cheiro, espuma e peixes mortos. Segundo a organização, há casos de crianças com enfermidades pelo consumo da água.
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“Relatórios preliminares, por sua vez, relatam a presença de mercúrio em níveis alarmantes, representando riscos tanto à saúde da população quanto ao equilíbrio ambiental da região. O rio está em risco, a vida também”, diz a CPT em trecho do comunicado.
Ao todo, são 22 aldeias que dependem diretamente do rio para a alimentação, o uso pessoal e o mantimento da cultura da comunidade. Com a suspeita de contaminação, os indígenas suspenderam as atividades de caça, pesca e a utilização geral da água.
De acordo com a comissão, a empresa mineradora que atua na região pertence à estatal chinesa China Nonferrous Mining Metal Company (CNMC), apontada como principal suspeita pela contaminação.
“Diante da gravidade da situação, as comunidades cobram das autoridades competentes medidas urgentes para identificar e investigar a extensão da contaminação, responsabilizar os envolvidos e garantir a recuperação do rio”.
A Terra Indígena ocupada pelos Waimiri-Atroari foi excluída do processo de demarcação em 1980. Desde então o rio, que atravessa o território, é utilizado na mineração.
Em 2021, o Ministério Público Federal (MPF) do Amazonas pediu a suspensão imediata do lançamento de qualquer resíduo em barragens e a adoção de medidas urgentes de reparação.