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Indígenas Waimiri-Atroari cobram responsabilização de empresa por vazamento de mineradora

Comunidade denuncia sinais de contaminação por mercúrio no rio Alalaú, no Amazonas, e cobra medidas urgentes das autoridades
Vista aérea de áreas de mineração ilegal no estado do Pará, em 19 de março de 2025.

Vista aérea de áreas de mineração ilegal no estado do Pará, em 19 de março de 2025.

— Pablo PORCIUNCULA / AFP

30 de setembro de 2025

Lideranças indígenas do povo Waimiri-Atroari denunciaram a possibilidade de intoxicação por resíduos de mineração no rio Alalaú, na cidade de Presidente Figueiredo (AM). A denúncia foi divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na segunda-feira (29). 

Em nota, os moradores da região relatam sinais de contaminação, como mau cheiro, espuma e peixes mortos. Segundo a organização, há casos de crianças com enfermidades pelo consumo da água. 

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“Relatórios preliminares, por sua vez, relatam a presença de mercúrio em níveis alarmantes, representando riscos tanto à saúde da população quanto ao equilíbrio ambiental da região. O rio está em risco, a vida também”, diz a CPT em trecho do comunicado. 

Ao todo, são 22 aldeias que dependem diretamente do rio para a alimentação, o uso pessoal e o mantimento da cultura da comunidade. Com a suspeita de contaminação, os indígenas suspenderam as atividades de caça, pesca e a utilização geral da água. 

De acordo com a comissão, a empresa mineradora que atua na região pertence à estatal chinesa China Nonferrous Mining Metal Company (CNMC), apontada como principal suspeita pela contaminação.

“Diante da gravidade da situação, as comunidades cobram das autoridades competentes medidas urgentes para identificar e investigar a extensão da contaminação, responsabilizar os envolvidos e garantir a recuperação do rio”.

A Terra Indígena ocupada pelos Waimiri-Atroari foi excluída do processo de demarcação em 1980. Desde então o rio, que atravessa o território, é utilizado na mineração. 

Em 2021, o Ministério Público Federal (MPF) do Amazonas pediu a suspensão imediata do lançamento de qualquer resíduo em barragens e a adoção de medidas urgentes de reparação. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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