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COP30 em Belém pode ser a ‘mais excludente’ por altos preços de hospedagem, avalia Observatório do Clima

Preços de hotéis em Belém chegam a mais de R$ 5 mil por noite, ameaçando participação de países pobres na conferência climática da ONU
Um homem passa por um projeto de infraestrutura em andamento para a COP30 em Belém, estado do Pará, Brasil, em 16 de junho de 2025.

Um homem passa por um projeto de infraestrutura em andamento para a COP30 em Belém, estado do Pará, Brasil, em 16 de junho de 2025.

— Carlos Fabal/AFP

13 de agosto de 2025

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), marcada para acontecer em novembro em Belém (PA), pode se tornar “a mais excludente da história” devido aos altos preços de hospedagem, segundo alerta divulgado pelo Observatório do Clima.

“Desde quando se ofereceu para sediar a COP30, o governo brasileiro sabe quais são as demandas logísticas da conferência – que não se confundem com as de outros grandes eventos realizados em Belém. A cidade, como seria o caso com quase todas as outras capitais do Brasil, deveria ter sido adaptada à COP”, disse o comunicado.

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Delegações de países em desenvolvimento, além de Estados africanos e insulares, solicitaram ao Brasil que transfira o evento para uma cidade com maior capacidade hoteleira. O valor das diárias em Belém já ultrapassa US$ 1 mil (cerca de R$ 5.424).

O governo brasileiro descartou mudar a sede da conferência e participará, na quinta-feira (14), de uma reunião com a Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir alternativas. O Observatório do Clima aponta “negligência do governo federal e do governo do Pará” por não terem solucionado a questão da hospedagem nos dois anos e meio de preparação para o evento.

Impacto na representatividade

Segundo a rede ambientalista, a limitação no número de delegados, membros de órgãos constituintes, observadores e imprensa pode afetar a legitimidade das negociações. Na semana anterior, o presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, desistiu de participar, citando os preços elevados como principal motivo.

Em meados de julho, o governo lançou, com meses de atraso, uma plataforma virtual para oferta de hospedagens a até US$ 220 (R$ 1.193) por noite, voltada a países com dificuldades financeiras para enviar representantes. 

“Temos que conseguir quartos e estamos fazendo tudo o que podemos para isso. Caso contrário, a COP teria realmente um problema de legitimidade”, afirmou André Corrêa do Lago, presidente da COP30, em entrevista à Agence France-Presse (AFP).

Diante da escassez de acomodações acessíveis, algumas organizações estudam reduzir suas delegações ou utilizar espaços como igrejas e mesquitas para hospedagem. Para o Observatório do Clima, sem uma solução imediata, corre-se o risco de comprometer a diversidade e a representatividade do evento.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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