Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que a violência no Brasil afeta de forma desigual os diferentes grupos sociais, atingindo principalmente jovens, negros e mulheres. Os dados fazem parte do “1º Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira: Violências e Acidentes”, divulgado nesta segunda-feira (25).
A pesquisa utilizou dados das notificações do Sistema Único de Saúde (SUS) e estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes aos anos de 2022 e 2023. O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
De acordo com o informe, 65% das mortes entre jovens são causadas por fatores externos, como violências e acidentes. Quando analisados os dados por cor da pele, o cenário mostra que jovens negros representam 73% dos óbitos por causas externas, totalizando 61.346 mortes.
A pesquisa também revela que, entre os jovens negros, 54,1% das notificações de violência registradas envolvem essa população. O risco de morte por causas externas entre jovens homens negros chega a 227,5 por 100 mil habitantes, evidenciando a vulnerabilidade desse grupo.
No recorte por gênero, a motivação sexual aparece como a mais frequente nas violências sofridas por mulheres jovens, correspondendo a 23,7% dos casos. Essa proporção é ainda maior entre mulheres com idade de 25 a 29 anos.
O estudo também destaca diferenças nos locais onde ocorrem os assassinatos: enquanto 34,5% das mulheres jovens são mortas dentro de casa, apenas 9,6% dos homens morrem nesse ambiente. Para os homens, o maior risco está nas ruas, onde ocorrem 57,6% dos assassinatos.
Outro dado alarmante revelado pelo estudo é que pessoas jovens com deficiência (PCDs) representam cerca de 20% das notificações de violência registradas no SUS, indicando mais um grupo social particularmente vulnerável.