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Jovens negros concentram 73% das mortes por causas externas, aponta levantamento

Pesquisa realizada por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também aponta que a juventude, as mulheres e os negros sofrem mais violência
Pessoas negras protestam contra a morte da juventude negra.

Pessoas negras protestam contra a morte da juventude negra.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

25 de agosto de 2025

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que a violência no Brasil afeta de forma desigual os diferentes grupos sociais, atingindo principalmente jovens, negros e mulheres. Os dados fazem parte do “1º Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira: Violências e Acidentes”, divulgado nesta segunda-feira (25).

A pesquisa utilizou dados das notificações do Sistema Único de Saúde (SUS) e estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes aos anos de 2022 e 2023. O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).

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De acordo com o informe, 65% das mortes entre jovens são causadas por fatores externos, como violências e acidentes. Quando analisados os dados por cor da pele, o cenário mostra que jovens negros representam 73% dos óbitos por causas externas, totalizando 61.346 mortes.

A pesquisa também revela que, entre os jovens negros, 54,1% das notificações de violência registradas envolvem essa população. O risco de morte por causas externas entre jovens homens negros chega a 227,5 por 100 mil habitantes, evidenciando a vulnerabilidade desse grupo.

No recorte por gênero, a motivação sexual aparece como a mais frequente nas violências sofridas por mulheres jovens, correspondendo a 23,7% dos casos. Essa proporção é ainda maior entre mulheres com idade de 25 a 29 anos.

O estudo também destaca diferenças nos locais onde ocorrem os assassinatos: enquanto 34,5% das mulheres jovens são mortas dentro de casa, apenas 9,6% dos homens morrem nesse ambiente. Para os homens, o maior risco está nas ruas, onde ocorrem 57,6% dos assassinatos.

Outro dado alarmante revelado pelo estudo é que pessoas jovens com deficiência (PCDs) representam cerca de 20% das notificações de violência registradas no SUS, indicando mais um grupo social particularmente vulnerável.

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  • Thayná Santana

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