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Jovens negros propõem políticas para reduzir letalidade policial

Projeto do Instituto Sou da Paz promoveu um debate crítico sobre a violência praticada por policiais
Pessoas negras protestam contra a violência policial, que tem como alvo em sua maioria jovens negros.

Foto: Luiz Souza/iStockPhotos

10 de maio de 2023

O Instituto Sou da Paz divulgou os resultados da Agenda Juvenil de Prevenção à Violência Letal contra a Juventude Negra, projeto desenvolvido em parceria com a Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo e que chegou ao fim após um ano de atividades.

O instituto destacou que, segundo o Atlas da Violência 2021, 51% dos homicídios ocorridos no Brasil em 2019 acometeram pessoas de 15 a 29 anos, em sua maioria negras.

Dados estaduais levantados pelo Comitê Paulista de Prevenção de Homicídios na Adolescência também apontam que apesar da população do estado paulista ser composta predominantemente por brancos, 53,81% das crianças e adolescentes vítimas de homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte em 2021 eram negras.

A  agenda teve como objetivo dar voz às vivências dos jovens negros e fazê-las chegar ao conhecimento dos atores de governo. A iniciativa contou com três turmas de aproximadamente 20 jovens cada, de idade entre 16 e 21 anos, da cidade de São Paulo.

Uma turma de jovens estava em cumprimento de medida socioeducativa de internação da Fundação Casa, enquanto os outros dois grupos eram formados por jovens alunos e ex-alunos do Centro de Desenvolvimento Social e Produtivo (CEDESP) e do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) nas zonas Leste e Norte da capital, respectivamente.

Ao longo da agenda, os jovens negros participaram de debates sobre temas como justiça social e participaram de oficinas culturais de percussão, rima/poesia e grafiti. Nas atividades realizadas na Fundação CASA, por exemplo, os adolescentes gravaram o cypher de rap autoral “Paz na Favela”, lançado em setembro de 2022.

Propostas para reduzir a letalidade policial

Após os encontros formativos e as oficinas culturais, os jovens negros elaboraram 34 propostas para reduzir a violência. Segundo o Instituto Sou da Paz, as três turmas escolheram diferentes temas para os encontros formativos, o que possibilitou uma maior variedade de caminhos para a abordagem da letalidade da juventude negra.

“No entanto, o uso excessivo da força nas abordagens policiais foi tema unânime. Sendo assim, é possível observar que a maioria das propostas são diretamente dirigidas às forças de segurança, em especial à Polícia Militar”, diz o relatório da agenda.

A padronização dos protocolos operacionais da polícia, mais adesão às câmeras corporais em policiais, divulgação dos canais de denúncia de violência policial e piunições mais rígidas em caso de descumprimento de regras e normas foram algumas das sugestões feitas pelos adolescentes.

Leia também: Desde 2020, pessoas negras são as principais vítimas de violência política

Os jovens também fizeram propostas direcionadas à outras políticas públicas, que se atentam para a adolescência e juventude antes da ocorrência dos episódios de violência letal, cumprindo efetivamente com a ideia de prevenção de violência como etapa fundamental da política de segurança pública e efetivada de forma articulada e intersetorial.

Entre as ideias estão a criação de mais oportunidades de emprego formal para a juventude, ampliação de ofertas culturais, construção de escolas mais acolhedoras e conectadas com as temáticas de diversidade, garantia de saneamento básico bem como melhorar a iluminação de vias públicas, realização de campanhas sobre assédio e violência sexual, além do fortalecimento de familiares de adolescentes em vulnerabilidade para que esta família possa ser e estar presente para apoiar os jovens.

  • Redação

    A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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