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Justiça determina conclusão da titulação do quilombo Kalunga em Goiás

Dos 262 mil hectares das terras do Quilombo Kalunga, apenas cerca de 34 mil foram titulados definitivamente; comunidade é considerada a maior do Brasil
Região rural no entorno do área remanescente de quilombo, em Santo Antônio do Descoberto (GO).

Região rural no entorno do área remanescente de quilombo, em Santo Antônio do Descoberto (GO).

— Reprodução/Valter Campanato/Agência Brasil

13 de janeiro de 2026

A Justiça Federal de Goiás determinou que a União e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) devem, em até 24 meses, apresentar um plano para solucionar as questões relacionadas à titularidade das terras do Quilombo Kalunga, no Nordeste de Goiás. 

Presentes em 39 regiões dos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás, os territórios Kalungas possuem mais de 8 mil habitantes e constituem a maior comunidade quilombola do Brasil. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), dos 262 mil hectares, apenas cerca de 34 mil foram titulados definitivamente.

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Em nota publicada na segunda-feira (12), o órgão informou que o prazo da sentença iniciará em fevereiro deste ano. O planejamento deverá manter integralmente a área reconhecida no Relatório de Identificação e Delimitação (RTID), elaborado durante o processo administrativo de regularização fundiária.

A decisão da Justiça definiu que, após a apresentação do projeto, o estado de Goiás terá até 48 meses para adotar as providências necessárias para a transferência de titularidade e da propriedade definitiva das terras devolutas localizadas no território à Associação Quilombo Kalunga.

São consideradas devolutas as terras públicas sem destinação pelo poder público e que não integraram o patrimônio de um particular, mesmo que sob posse irregular de terceiros. Segundo a Agência Câmara de Notícias, o termo origina-se do conceito de terra devolvida.

A Justiça também estabeleceu que o Incra deverá finalizar os processos administrativos para a titulação das demais áreas inseridas nas terras tradicionais.

Para o Ministério Público, a demora na regularização da comunidade facilita a invasão por pessoas estranhas, tendo resultado em, pelo menos, 14 conflitos possessórios.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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