O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afrobrasileiras (Idafro) ingressou, nesta segunda-feira (12), com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a suspensão da absolvição de Marcos Paulo Ribeiro de Morais, conhecido como Marcão do Povo, alvo de processo após comentários racistas contra a cantora Ludmilla.
Em 2017, o jornalista e ex-apresentador da Record TV chamou a artista de “pobre e macaca” durante a exibição do programa Balanço Geral DF. Oito anos depois, em 2025, Morais foi absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). À época, a ministra relatora entendeu que o vídeo apresentado na ação estava editado, o que impediria a identificação correta do contexto da fala.
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A Ação de Descumprimento do Preceito Fundamental (ADPF) questiona a sentença que, ao mesmo tempo, reconhece a existência do crime de racismo e absolve o autor das falas criminosas.
Em entrevista à Alma Preta, o advogado, jurista e coordenador-executivo da Idafro, Dr. Hédio Silva, define a decisão do Judiciário como uma demonstração ideológica que contradiz as provas dos autos.
“[A ação] ficou anos no STJ. Essa sentença já era para ter sido desconstituída por já ser conhecida há muito tempo”, argumenta.
Silva destaca que a apelação ao Supremo pode ser reforçada pela defesa de Ludmilla, que, segundo o jurista, pode entrar com uma segunda ação do gênero contra a apresentação.
“Nós estamos lutando contra o tempo, mas se essa ADPF que o Idafro propôs no Supremo Tribunal Federal for julgada procedente, nós vamos ter uma mudança substantiva na forma como são julgados os crimes raciais no Brasil”, completa.