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Manifesto de mulheres negras expõe violações e reivindica justiça reprodutiva

Documento reúne denúncias sobre racismo institucional, violência obstétrica e ameaças ao acesso ao aborto legal, articulando uma agenda nacional por justiça reprodutiva para mulheres negras
XI Marcha das Mulheres Negras, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 27 de julho de 2025.

XI Marcha das Mulheres Negras, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 27 de julho de 2025.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

24 de novembro de 2025

O Comitê Impulsor Nacional Feminista e Antirracista por Justiça Reprodutiva lançou o “Manifesto por Justiça Reprodutiva”, documento construído coletivamente por mais de 300 mulheres negras e que recebeu 250 contribuições durante consulta pública. O texto é divulgado às vésperas da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que ocorre nesta terça-feira (25), em Brasília.

O texto apresenta uma agenda política nacional que articula saúde reprodutiva e autonomia corporal. Segundo a organização, a proposta visa colocar a justiça reprodutiva no centro do debate público e defende direitos básicos como dignidade, saúde, renda, moradia, acolhimento e proteção.

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Nesse contexto, o documento faz um alerta sobre o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 03/2025, conhecido como “PDL da Pedofilia”, que dificulta a realização de abortos em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Organizações de mulheres negras, especialistas e juristas classificam o projeto como uma ameaça que fragiliza o acesso ao aborto legal para crianças e adolescentes.

O manifesto também aprofunda temas centrais que estruturam as desigualdades reprodutivas no país, como o racismo institucional na saúde, a violência obstétrica e o racismo obstétrico, além de questões relacionadas à saúde mental, sexual e reprodutiva. O texto aborda ainda dignidade menstrual, falta de infraestrutura sanitária, políticas de cuidado e maternidade, e a saúde ao longo da vida, da infância à menopausa.

Outro ponto do texto propõe a criação de fundos de reparação, memoriais, centros de referência e a inclusão da história das violações nos currículos da saúde. Também defende maior participação de mulheres negras cis e trans na governança do Sistema Único de Saúde (SUS).

O documento relembra casos emblemáticos, como o de Alyne Pimentel, jovem negra que morreu gestante após negligência médica em uma unidade de saúde na Baixada Fluminense, em 2022, e o de Paloma Alves de Moura, que morreu após um quadro hemorrágico. Os episódios são citados como exemplos da necessidade de respostas estruturais.

Além disso, o texto apresenta um conjunto de medidas que inclui metas antirracistas no SUS, fortalecimento do Sistema Nacional de Cuidados e ampliação de creches e licenças parentais, protocolos de responsabilização, educação sexual antirracista e laica, acesso universal a métodos contraceptivos e ao aborto legal e seguro.

Sessão solene na Câmara dos Deputados

Ainda no dia 25, haverá uma Sessão Solene em homenagem à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, às 11h, na Câmara dos Deputados. O coletivo participará ao lado de outras representações de organizações de mulheres negras, lideranças e parlamentares.

Estão confirmadas as presenças da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; e das deputadas federais Erika Hilton, Benedita da Silva e Carol Tomazini.

Criado em outubro de 2025, o Comitê foi impulsionado por organizações como Criola, Nem Presa Nem Morta, CEPIA, Iniciativa Justiça Reprodutiva, Instituto Odara, Movimento Mulheres Negras Decidem, Casa das Mulheres da Maré e Observatório Feminista do Nordeste, que articularam a adesão de centenas de organizações e ativistas de todo o país.

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  • Thayná Santana

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