PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Ministério Público Federal pede veto presidencial ao ‘PL da Devastação’

Em nota técnica, o MPF recomenda veto a 37 dispositivos da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, aprovada pelo Congresso em julho de 2025
Ibama, Exército e Polícia Militar de Rondônia em operação de fiscalização, em Espigão do Oeste (RO).

Ibama, Exército e Polícia Militar de Rondônia em operação de fiscalização, em Espigão do Oeste (RO).

— Reprodução /Fernando Augusto/Ibama

30 de julho de 2025

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou, nesta quarta-feira (30), uma nota técnica solicitando o veto integral ou parcial da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (nº 2159/2021), também conhecida como “PL da Devastação”. 

O Projeto de Lei foi aprovado pelo Congresso Nacional no dia 17 de julho e flexibiliza regras de licenciamento ambiental para empreendimentos do agronegócio e outras atividades com potencial de impacto ambiental.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A medida aprovada é considerada um novo marco legal para a regulação ambiental no Brasil e abre brechas para atividades extrativistas em áreas de conservação. 

O documento do MPF foi enviado ao Palácio do Planalto e questiona 37 dispositivos da nova lei, com destaque para a flexibilização das modalidades de licenciamento em setores como o agronegócio e obras de infraestrutura. 

“A pretexto de simplificar e agilizar, o PL fragiliza um instrumento essencial para a compatibilização do desenvolvimento com a proteção ambiental, esvaziando o poder-dever de polícia do Estado e vulnerando direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais”, declara o órgão em trecho da nota. 

A nota também contesta a renovação automática das licenças, a exclusão da participação de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) em processos relacionados a territórios não homologados, a dispensa da exigência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a flexibilização de regras da Lei da Mata Atlântica (nº. 11.428/2006).

Para o Ministério Público, a medida enfraquece as garantias ambientais e a proteção de comunidades tradicionais e viola preceitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal, como o princípio da vedação ao retrocesso ambiental e ao direito dos povos indígenas sobre suas terras. 

Entre os pontos mais preocupantes, o MPF destaca a introdução do autolicenciamento e da Licença Ambiental Especial (LAE). De acordo com o texto aprovado, a LAE permitirá que empreendimentos de grande impacto socioambiental sejam aprovados sem a análise prévia de órgãos técnicos.

“Por meio do autolicenciamento, da dispensa de setores inteiros, da eliminação da análise técnica e da fragilização das condicionantes, o PL promove um desmonte generalizado do sistema de licenciamento.”

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano