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Ministérios repudiam declaração machista contra árbitra no Campeonato Paulista

Após perder o jogo contra o São Paulo, o zagueiro Gustavo Marques declarou que mulheres não deveriam apitar jogos de grandes clubes
O zagueiro do Red Bull Bragantino, Gustavo Marques.

O zagueiro do Red Bull Bragantino, Gustavo Marques.

— Reprodução/Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

23 de fevereiro de 2026

Os ministérios das Mulheres (MMulheres) e do Esporte (MESP) manifestaram, no último domingo (22), repúdio às declarações machistas do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após a partida do time contra o São Paulo, nas quartas de final do Campeonato Paulista. 

No jogo, apitado pela árbitra Daiane Muniz, no sábado (21), o Red Bull Bragantino perdeu de 2 a 1. Insatisfeito com o resultado, o jogador disse em entrevista que a arbitragem de uma partida envolvendo dois grandes clubes não deveria ser realizada por uma mulher.

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“Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians, e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez. Eu acho que o São Paulo tem todo mérito pela camisa, pela tradição que tem. Acho que ela puxou para eles porque independente da situação, o Red Bull é grande, mas para ela o São Paulo foi maior. Então eu acho que esse jogo também é critério dela, porque ela não foi mulher”, declarou Marques.

O comunicado das pastas destaca que Muniz é uma árbitra da Federação Paulista de Futebol (FPF), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Federação Internacional de Futebol (FIFA), sendo considerada altamente qualificada para o cargo. 

“Um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado”, diz trecho da nota.

A Federação também se manifestou publicamente e demonstrou profunda indignação com o caso. Para a entidade, a declaração do zagueiro reflete “uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina”. As declarações serão encaminhadas à Justiça Desportiva, para que sejam tomadas as providências cabíveis. 

“A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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